O quilombo como práxis: sentidos e discursos da territorialidade Manga Iús no Cerrado Piauiense

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DOI :

https://doi.org/10.46551/rc24482692202528

Mots-clés :

Communauté Quilombola de Manga Iús. Praxis Territoriale. Territorialité Quilombola.

Résumé

O artigo analisa a territorialidade da Comunidade Quilombola Manga Iús, localizada no município de Batalha (PI), a partir da noção de território como práxis, entendida como processo histórico, relacional e discursivo, produzido por práticas materiais, simbólicas e políticas. Reconhecida pela Fundação Cultural Palmares em 2005, a comunidade permanece sem titulação fundiária, inserida em um regime prolongado de espera institucional. Nesse sentido, o presente estudo tem por objetivo compreender de que modo as práticas simbólicas, discursivas e cotidianas da comunidade Manga Iús sustentam e atualizam sua territorialidade em meio à indefinição jurídica do território. A pesquisa adota abordagem qualitativa, articulando História Oral e Análise Crítica do Discurso, com ênfase na categoria de prática social, a partir de entrevistas, observações de campo e análise de documentos técnico-institucionais. Os resultados demonstram que a territorialidade se ancora na ancestralidade, na oralidade, nos lugares de memória e em práticas agroecológicas, constituindo uma identidade coletiva em tensão com discursos jurídico-administrativos marcados por epistemologias excludentes. Conclui-se que as disputas territoriais configuram embates entre regimes discursivos antagônicos, exigindo inflexão epistemológica nos protocolos de regularização fundiária.

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Paulo Gilson Carvalho Júnior, Universidade Federal do Piauí - UFPI, Teresina (PI), Brasil

É graduado em História pela Universidade Estadual do Piauí (UESPI). Atualmente cursa mestrado pelo Programa de Pós-Graduação em Desenvolvimento e Meio Ambiente da Universidade Federal do Piauí (UFPI).

Endereço: Campus Ministro Petrônio Portella - SG 06, Av. Universitária, 1310, Ininga, Teresina, Piauí, CEP: 64049-550.

Dra. Kary Emanuelle Reis Coimbra, Université Fédérale du Piauí

É graduada em Gestão de Recursos Humanos pelo Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia do Piauí (IFPI), mestra em Administração pela Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) e doutora em Políticas Públicas pela Universidade Federal do Piauí (UFPI). Atualmente é Professora do Programa de Pós-Graduação em Gestão Pública da Universidade Federal do Piauí (UFPI).

Endereço: Campus Ministro Petrônio Portella - SG 06, Av. Universitária, 1310, Ininga, Teresina, Piauí, CEP: 64049-550.

Dr. José Machado Moita Neto, Université Fédérale du Piauí

É graduado em Engenharia Civil, Ciências (habilitação em Química), Filosofia e Direito pela Universidade Federal do Piauí (UFPI), mestre e doutor em Química pela Universidade Estadual de Campinas (UNICAMP). Atualmente é Professor do Programa de Pós-Graduação em Desenvolvimento e Meio Ambiente da Universidade Federal do Piauí (UFPI).

Endereço: Campus Ministro Petrônio Portella - SG 06, Av. Universitária, 1310, Ininga, Teresina, Piauí, CEP: 64049-550.

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Publiée

2025-12-15

Comment citer

CARVALHO JÚNIOR, Paulo Gilson; REIS COIMBRA, Kary Emanuelle; MOITA NETO, José Machado. O quilombo como práxis: sentidos e discursos da territorialidade Manga Iús no Cerrado Piauiense. Revista Cerrados, [S. l.], v. 23, n. 02, p. 322–346, 2025. DOI: 10.46551/rc24482692202528. Disponível em: https://www.periodicos.unimontes.br/index.php/cerrados/article/view/9264. Acesso em: 15 janv. 2026.

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