Fatores associados à necessidade de hemotransfusão em recém-nascidos cadastrados em um ambulatório de Follow-up

Autores

  • Antonio Caldeira Universidade Estadual de Montes Claros - Unimontes
  • Andreia Caroline Ribeiro Ramos
  • Isabella Prates Caldeira
  • Patrícia Soares Castro
  • Jair Almeida Carneiro
  • Lucineia Pinho

DOI:

https://doi.org/10.46551/ruc.v22n1a03

Palavras-chave:

Transfusão de sangue. Recém-nascido prematuro. Anemia. Terapia intensiva neonatal.

Resumo

Objetivo: conhecer a frequência e os fatores associados à necessidade de hemotransfusão em recém-nascidos acompanhados em um serviço seguimento de recém-nascidos de alto risco. Metodologia: Trata-se de estudo com base em dados secundários, a partir do grupo de crianças de ambulatório de seguimento no norte de Minas Gerais. Foram coletadas variáveis relacionadas às condições de gestação, parto e permanência na Unidade de Terapia Intensiva Neonatal. Após análises bivariadas, seguiu-se regressão de Poisson com as variáveis que se mostraram associadas até o nível de 20%. No modelo final, permaneceram apenas as variáveis que se mostraram associadas à necessidade de hemotransfusão até o nível de 5%, registrando-se as razões de prevalência e seus respectivos intervalos de confiança de 95%. Resultados: Foram coletados dados de 282 neonatos. Houve ligeiro predomínio do sexo masculino. Mais da metade apresentavam peso de nascimento abaixo de 1500 gramas (59,6%). Entre as intercorrências apresentadas, a sepse foi a mais comum (58,9%). A anemia com necessidade de hemotransfusão foi identificada em 96 prontuários (34,0%). Em uma análise conjunta, as variáveis que se mostraram estatisticamente associadas à necessidade de hemotransfusão para o grupo estudado foram: o peso de nascimento menor que 1500g (RP=1,25; IC95%:1,09-1,39), o tempo de oxigenioterapia igual ou superior a 15 dias (RP=1,42; IC95%:1,29-1,56) e a ocorrência de sepse (RP=1,11; IC95%:1,01-1,23). Conclusão: Observou-se elevada frequência de hemotransfusão para o grupo estudado. As variáveis associadas destacam o papel da prematuridade e dos cuidados com os prematuros no período neonatal.

Downloads

Não há dados estatísticos.

Referências

1) HORBAR, J. D.; et al. Mortality and neonatal morbidity among infants 501 to 1500 grams from 2000 to 2009. Pediatrics, v. 129, n. 6, p. 1019-1026, 2012.
2) KEIR, A.; MCPHEE, A.; WILKINSON, D. Beyond the borderline: Outcomes for inborn infants born at ≤ 500 grams. J Paediatr Child Health, v. 50, n. 2, p. 146-152, 2014.
3) DOYLE, L. W.; et al. Neonatal intensive care at borderline viability – is it worth it? Early Hum Dev, v. 80, n. 2, p. 103-113, 2004.
4) KHAN, R. A.; et al. Resuscitation at the limits of viability - an Irish perspective. Acta Paediatr, v. 98, n. 9, p. 1456-1460, 2009.
5) SANTOS, A. M.; et al. Red blood cell transfusions are independently associated with intra-hospital mortality in very low birth weight preterm infants. J Pediatr, v. 159, n. 3, p. 371-376, 2011.
6) MOHAMED, A.; SHAH, P. S. Transfusion associated necrotizing enterocolitis: a meta-analysis of observational data. Pediatrics, v. 129, n. 3, p. 529–40, 2012.
7) AUCOTT, S. W.; MAHESHWARI, A. To transfuse or not transfuse a premature infant: the new complex question. J Perinatol, v. 39, n. 3, p. 351-353, 2019.
8) SANTOS, A. M. N.; et al. Factors associated with red blood cell transfusions in very-low-birth-weight preterm infants in Brazilian neonatal units. BMC Pediatrics, v. 15, n.113, 2015.
9) GUZMAN CABAÑAS, J. M.; et al. Factores de riesgo implicados en la necesidad de transfusión sanguínea en recién nacidos de muy bajo peso tratados con eritropoyetina. An Pediatr (Barc), v. 73, n. 6, p. 340-346, 2010.
10) FREITAS, B. A. C.; FRANCESCHINI, S. C. C. Fatores associados à transfusão de concentrado de hemácias em prematuros de uma unidade de terapia intensiva. Rev Bras Ter Intensiva, v. 24, n. 3, p. 224-229, 2012.
11) DOGRA, K.; et al. Red Cell Transfusion Practices in Neonatal Intensive Care Unit: An Experience from Tertiary Care Centre. Indian J Hematol Blood Transfus, v. 34, n. 4, p. 671-676, 2018.
12) PORTUGAL, C. A. A.; et al. Transfusion practices in a neonatal intensive care unit in a city in Brazil. Rev bras hematol hemoter, v. 36, n. 4, p. 245-249, 2014.
13) DICKYA, O.; et al. Delayed umbilical cord clamping in preterm infants born before 37 weeks of gestation: A prospective observational study. Arch Pediatr, v. 24, n. 2, p. 118-125, 2017.
14) JOSEPHSON, C. D.; MEYER, E. Neonatal and pediatric transfusion practice. In: GROSSMAN, B. J.; HILLYER, C. D.; WESTHOFL, C. M. (Org). AABB technical manual, Bethesda: ABB Press, 2014. P. 571-588.
15) KIRPALANI, H.; WHYTE, R. K. What is new about transfusions for preterm infants? An Update. Neonatology, v. 115, n. 4, p. 406-410, 2019.
16) KEIR, A.; et al. Adverse effects of red blood cell transfusions in neonates: a systematic review and meta-analysis. Transfusion, v. 56, n. 11, p. 2773-2780, 2016
17) SANTOS, A. M. N.; et al. Variability on red blood cell transfusion practices among Brazilian neonatal intensive care units. Transfusion, v. 50, n. 1, p.150-159, 2010.
18) GHIRARDELLO, S.; et al. Effects of Red Blood Cell Transfusions on the Risk of Developing Complications or Death: An Observational Study of a Cohort of Very Low Birth Weight Infants. Am J Perinatol, v. 34, n. 1, p. 88-95, 2017.
19) HOWARTH, C.; BANERJEE, J.; ALADANGADY, N. Red Blood Cell Transfusion in Preterm Infants: Current Evidence and Controversies. Neonatology, v. 114, n. 1, p. 7-16, 2018.
20) OHLS, R. K.; et al. A randomized, masked study of weekly erythropoietin dosing in preterm infants. J Pediatr, v. 160, n. 5, p.790-5, 2012.
21) MIMICA, A. F.; et al. A very strict guideline reduces the number of erythrocyte transfusions in preterm infants. Vox Sang, v. 95, n. 2, p. 106-111, 2008.
22) NAYERI, F.; et al. Evaluation of a new restricted transfusion protocol in neonates admitted to the NICU. Med J Islam Repub Iran, v. 28, n.119, 2014.

Downloads

Publicado

2020-06-16

Como Citar

CALDEIRA, A.; CAROLINE RIBEIRO RAMOS, A.; PRATES CALDEIRA, I.; SOARES CASTRO, P.; ALMEIDA CARNEIRO, J.; PINHO, L. Fatores associados à necessidade de hemotransfusão em recém-nascidos cadastrados em um ambulatório de Follow-up. Revista Unimontes Científica, v. 22, n. 1, p. 1-14, 16 jun. 2020.

Artigos mais lidos pelo mesmo(s) autor(es)