O CONSENSO DA PÓS-DEMOCRACIA NA FILOSOFIA POLÍTICA DE JACQUES RANCIÈRE
DOI:
https://doi.org/10.46551/2448-30952025v31n210Palabras clave:
consenso, pós-democracia, política, Rancière, dissenso.Resumen
A sociedade é unida pelo sentimento de pertencimento dos indivíduos dentro de sua comunidade. Quando reivindicam sua parte no meio da distribuição, tem atenção e são entendidos, são criticados por um dissenso agonístico, mas também são apoiados, nunca demonizados. Deve haver discussão e assim chegar a um estado social desejável. Por meio dos debates, é possível chegar em resoluções favoráveis para todas as partes. Contudo, com o desenvolvimento da democracia e o
advento dos espaços de discussões na perspectiva contemporânea, a democracia assemelha-se cada vez menos com o ambiente em que ocorre o dissenso para o bom desenvolvimento das sociedades. As estruturas políticas buscam abolir estes espaços, desejando imputar um consenso, este que não deve jamais ser contrariado, mas obedecido e seguido, caso contrário, todo aquele que se opõe ao consenso estatual de ideal se mostra um inimigo da sociedade e da boa estrutura democrática. Sobre esta busca em aniquilar as discussões sobre a validade das distribuições sociais e imputar o consenso inquestionável, os Estados contemporâneos se mostram contrários ao desenvolvimento dos espaços públicos de ação. De maneira que se utilizam de discursos sobre a liberdade e da ação democrática, mas ocultam sua verdadeira intenção, esta que é a de jamais questionar o status quo, ou seja, jamais questionar a estrutura de poder e aqueles que a comandam. A pós-democracia é uma estrutura que imputa o consenso e sustenta Estados oligárquicos controlados pelos poderes econômicos contemporâneos que se disfarçam sobre a fantasia de estruturas igualitárias, mas varrem para baixo do tapete aqueles que não servem ao seu consenso imposto.
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