Enquanto espero a quarentena passar

discurso e resistência em projeções mapeadas

Autores

  • Joseeldo da Silva Junior Universidade Federal da Paraíba
  • Francisco Vieira da Silva Universidade Federal Rural do Semi-Árido (UFERSA)

DOI:

https://doi.org/10.46551/ruc.v22n2a05

Palavras-chave:

Discurso, Resistência, Projeções mapeadas, Distanciamento social

Resumo

Objetivo: Este artigo intenta analisar materialidades do projeto intitulado Projetando Poesias, de modo a investigar como se produzem estratégias discursivas e de resistência em tais dizeres. O movimento ganhou notoriedade durante o período de pandemia do novo coronavírus (Sars-Cov-2) no contexto do distanciamento social no Brasil. As projeções mapeadas (vídeo mappimngs), consideradas como uma nova prática de manifestação urbana, consistem, como o próprio nome sugere, em projetar imagens ou textos em parte de prédios ou edifícios. Metodologia: A análise dos dados segue a perspectiva dos estudos discursivos de Michel Foucault. A metodologia segue um viés descritivo-interpretativo de natureza qualitativa. Resultado: O estudo das projeções mapeadas permitiu observar a existência de estratégias discursivas nas quais o sujeito que enuncia deixa entrever uma subjetividade sufocada em tempos de confinamento social. A resistência desses dizeres reside na possibilidade de trazer a arte literária como uma possibilidade de fruição e liberdade estética numa conjuntura de isolamento, a partir da ressignificação dos espaços urbanos.

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Biografia do Autor

Joseeldo da Silva Junior, Universidade Federal da Paraíba

Mestre em Linguística no Programa de Pós-Graduação de Linguística da Universidade Federal da Paraíba (UFPB). Graduado em Licenciatura Plena em Letras Português na Universidade Estadual da Paraíba (UEPB). Participou do Coletivo Violeta Formiga como educador promovendo discussões sobre educação, gênero e sexualidade. Atualmente, interessa-se pelos estudos na área de Linguística e Análise do Discurso Francesa, com fulcro nos Estudos Discursivos Foucaultianos. Desenvolve trabalhos sobre discurso, mídia, relações de poder e sexualidade.

Francisco Vieira da Silva, Universidade Federal Rural do Semi-Árido (UFERSA)

Doutor em Linguística pela Universidade Federal da Paraíba (UFPB). Mestre em Letras pela Universidade do Estado do Rio Grande do Norte (UERN). Especialista em Ciências da Linguagem aplicadas à Educação a Distância (CLEAD) pela Universidade Federal da Paraíba (UFPB) Graduado em Letras pela Universidade Estadual da Paraíba (UEPB). Professor efetivo de Linguística e Língua Portuguesa da Universidade Federal Rural do Semi-Árido (UFERSA), Campus de Caraúbas. Professor Permanente do Programa de Pós-Graduação em Letras (PPGL) da Universidade do Estado do Rio Grande do Norte (UERN) e do Programa de Pós-Graduação em Ensino (POSENSINO), da associação entre a a Universidade do Estado do Rio Grande do Norte (UERN), o Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia do Rio Grande do Norte (IFRN) e a Universidade Federal Rural do Semi-Árido (UFERSA). Coordenador local do POSENSINO na UFERSA (2019-2021). Atua, principalmente, nas seguintes temáticas: Análise do Discurso, mídia e discurso, construção de identidades, bem como a formação de professores numa perspectiva discursiva. É líder do Grupo de Pesquisa Discurso com Foucault (Dis.com.fou), vinculado à Universidade Federal Rural do Semi-Árido (UFERSA) e pesquisador do Círculo de Discussões em Análise do Discurso (CIDADI), da Universidade Federal da Paraíba (UFPB), do Grupo de Estudos do Discurso (GRED), da Universidade do Estado do Rio Grande do Norte (UERN) e do Grupo de Estudos do Discurso da Universidade do Estado do Rio Grande do Norte (GEDUERN).

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Publicado

2020-12-31

Como Citar

DA SILVA JUNIOR, J.; VIEIRA DA SILVA, F. Enquanto espero a quarentena passar: discurso e resistência em projeções mapeadas. Revista Unimontes Científica, v. 22, n. 2, p. 1-18, 31 dez. 2020.

Edição

Seção

Artigos Originais - Dossiê Temático Covid