O ESTADO NEOLIBERAL E A PROPOSTA DE EMPODERAMENTO FEMININO

ORIGENS E LIMITES TEÓRICOS E PRÁTICO-POLÍTICOS

Autores

  • Débora Elita de Sousa Silva Universidade Federal do Rio Grande do Norte

DOI:

https://doi.org/10.46551/rssp.202114

Palavras-chave:

Neoliberalismo. Empoderamento. Movimentos feministas.

Resumo

Nesta pesquisa nos propomos a analisar as teorias que inspiram o modelo estatal neoliberal e suas implicações sobre a perspectiva de empoderamento feminino. Neste sentido, foi necessária a apreensão das origens e das principais teorias que fundamentam o pensamento neoliberal; das implicações que o relacionam com a perspectiva de empoderamento feminino; e das limitações que caracterizam o modelo de desenvolvimento social neoliberal e a estratégia de empoderamento feminino. O percurso teórico-analítico foi traçado por meio de pesquisa bibliográfica das principais referências que fomentam o neoliberalismo, bem como dos que defendem o empoderamento como causa última pela qual a humanidade precisa lutar. Para fazer a problematização das limitações teóricas e político-práticas recorremos às referências marxistas materialistas que versam sobre o projeto neoliberal e os desafios ao feminismo marxista na atualidade. Concluímos que o neoliberalismo se apresenta como defensor da liberdade dos indivíduos, mas a concebe de forma restrita aos interesses de expansão do capital. Adentrando todas as esferas da vida social, o neoliberalismo apropria-se das pautas feministas e as converte em meios de valorização do capital via mercado. Contudo, esses processos não ocorrem de forma passiva. A degradação da vida pode suscitar a resistência e a transformação radical da sociedade. A luta contra o projeto neoliberal deve ser traçada por todos os trabalhadores e trabalhadoras, feministas, anticapitalistas, antirracistas, anti-lgbtfóbicas e ecossocialistas, rumo à plena expansão e emancipação do gênero humano.

Downloads

Não há dados estatísticos.

Referências

ALCARAZ, M.F. “2020 será o ano do aborto legal, é irreversível que se torne lei”, diz María Florencia Alcaraz. CartaCapital. [S.I.] 2020. Disponível em: https://www.cartacapital.com.br/sociedade/2020-sera-o-ano-do-aborto-legal-e-irreversivel-que-se-torne-lei-diz-maria-florencia-alcaraz. Acesso em 30 set. 2020.

ALMEIDA, Janaiky Pereira. Empoderamento X Consciência militante feminista: contribuições ao debate. In: ALMEIDA, J.P. Organismos Internacionais e enfrentamento à precarização do trabalho das mulheres na América Latina. Tese (Doutorado - Doutorado em Política Social) – Universidade de Brasília, Brasília, 2017.p.217-220. Disponível em: https://repositorio.unb.br/bitstream/10482/23974/1/2017_JanaikyPereiradeAlmeida.pdf. Acesso em 5 Jun. 2020.

ANDERSON, Perry. Balanço do neoliberalismo. In: ANDERSON. et al. Pós-neoliberalismo: as políticas sociais e o Estado democrático. Organizadores: Emir Sader, Pablo Gentili. Rio de Janeiro: Paz e Terra, 1995.

________. Além do neoliberalismo. In: ANDERSON. et al. Pós-neoliberalismo: as políticas sociais e o Estado democrático. Organizadores: Emir Sader, Pablo Gentili. Rio de Janeiro: Paz e Terra, 1995.

ANDERSON. et al. A trama do neoliberalismo: mercado, crise e exclusão social. In: ANDERSON. et al. Pós-neoliberalismo: as políticas sociais e o Estado democrático. Organizadores: Emir Sader, Pablo Gentili. Rio de Janeiro: Paz e Terra, 1995.

____________. Pós-neoliberalismo: as políticas sociais e o Estado democrático. Organizadores: Emir Sader, Pablo Gentili. Rio de Janeiro: Paz e Terra, 1995.

ANTUNES. Ricardo. Coronavírus: o trabalho sob fogo cruzado. [recurso eletrônico]. - 1 ed. - São Paulo: Boitempo, 2020. Recurso digital (Pandemia capital).

BERTH, Joice. O que é empoderamento? Belo Horizonte (MG): Letramento, 2018.

BORÓN, Atilio. A sociedade civil depois do dilúvio neoliberal. In: ANDERSON. et al. Pós-neoliberalismo: as políticas sociais e o Estado democrático. Organizadores: Emir Sader, Pablo Gentili. Rio de Janeiro: Paz e Terra, 1995.

COLLINS, Patrícia Hill. Pensamento feminista negro: conhecimento, consciência e a política do empoderamento; tradução Jamille Pinheiro Dias. 1 ed. – São Paulo: Boitempo, 2019.

DAVIS, Angela. Vamos subir todas juntas: perspectivas radicais sobre o empoderamento das mulheres afro-americanas. In: DAVIS. Mulheres, cultura e política. [tradução Heci Regina Candiani]. - 1 ed. - São Paulo : Boitempo, 2017.

FARIA, Nalu. Desafios feministas frente à ofensiva neoliberal. In: MORENO, Renata; ZELIC, Helena (org.). Feminismo em resistência: crítica ao capitalismo neoliberal. São Paulo: SOF, 2019. 80p. (Coleção Cadernos Sempreviva. Série Economia e Feminismo, 5). Disponível em: https://www.sof.org.br/feminismo-em-resistencia-critica-ao-capitalismo-neoliberal/. Acesso em 22 set. 2020.

FERNANDES, Luis. Neoliberalismo e reestruturação capitalista. In: ANDERSON. et al. Pós-neoliberalismo: as políticas sociais e o Estado democrático. Organizadores: Emir Sader, Pablo Gentili. Rio de Janeiro: Paz e Terra, 1995.

FRASER, Nancy. Como certo feminismo mordeu a isca neoliberal. The Guardian. [tradução Felipe Kantor] LavraPalavra. In: Outras Mídias. Publicado por Redação Outras Palavras. Abril, 2016. Disponível em: https://outraspalavras.net/outrasmidias/como-certo-feminismo-mordeu-a-isca-neoliberal/. Acesso em 22 set. 2020.

HAYEK, F.A. O caminho da servidão. - 6 ed. - São Paulo: Instituto Ludwig von Mises Brasil, 2010. Disponível em: http://rothbardbrasil.com/wp-content/uploads/arquivos/caminhodaservidao.pdf. Acesso em 20 jul. de 2020.

HIRATA; Helena. Gênero, classe e raça: Interseccionalidade e consubstancialidade das relações sociais. Tempo Social, revista de sociologia da USP, v. 26, n. 1, jun. 2014, p.61-73.

IASI, Mauro. Classe e consciência de classe no Brasil: contestação e amoldamento. 32º Encontro Anual da Anpocs, 2008, Caxambu, MG. GT: Marxismo e Ciências Sociais (GT 24).

KERGOAT, Danièle. Dinâmica e consubstancialidade das relações sociais. [Tradução de Antonia Malta Campos]. Revista Novos Estudos, CEBRAP, 86, mar. 2010, p. 93-103.

________; GARELAND. Consubstancialidade versus interseccionalidade? A propósito da imbricação das relações sociais. In: AGUIAR, Eliana. Lutar, dizem elas... [coordenação editorial de Maria Betânia Ávila e Verônica Ferreira]. – Recife: SOS Corpo, 2018, p. 145-161.

MARX, Karl. Sobre a questão judaica. Apresentação [e posfácio] Daniel Bensaïd; tradução Nélio Schneider, [tradução de Daniel Bensaïd, Wanda Caldeira Brant]. - São Paulo: Boitempo, 2010. (Coleção Marx-Engels). Disponível em:< http://petdireito.ufsc.br/wp-content/uploads/2013/03/Karl-Marx-Sobre-a-questao-Judaica.pdf . Acesso em 19 set. 2020.

_____; ENGELS, Friedrich. A ideologia alemã: crítica da mais recente filosofia alemã em seus representantes Feuerbach, B. Bauer e Stirner, e do socialismo alemão em seus diferentes profetas (1845-1846). Supervisão editorial, Leandro Konder; tradução, Rubens Enderle, Nélio Schneider, Luciano Cavini Martorano. - São Paulo: Boitempo, 2007. Disponível em: < http://abdet.com.br/site/wp-content/uploads/2014/12/A-Ideologia-Alem%C3%A3.pdf> . Acesso em 10 Set. 2020.

__________. Manifesto do Partido comunista. – 1 ed. – São Paulo: Expressão Popular: 2008, 67p. Disponível em: https://www.expressaopopular.com.br/loja/wp-content/uploads/2020/02/manifesto-comunista-EP.pdf . Acesso em 28 set. 2020.

MÉSZÁROS, István. A ordem da reprodução sociometabólica do capital. In: MÉSZÁROS, István. Para além do capital: rumo a uma teoria da transição; tradução Paulo Cezar Castanheira, Sérgio Lessa. - 1.ed. revista. - São Paulo: Boitempo, 2011. (Mundo do trabalho). Disponível em: https://files.cercomp.ufg.br/weby/up/208/o/para-alem-do-capital.pdf. Acesso em jul. 2020.

________. Das crises cíclicas à crise estrutural. In: MÉSZÁROS, István. Para além do capital: rumo a uma teoria da transição; tradução Paulo Cezar Castanheira, Sérgio Lessa. - 1.ed. revista. - São Paulo: Boitempo, 2011. (Mundo do trabalho). Disponível em: https://files.cercomp.ufg.br/weby/up/208/o/para-alem-do-capital.pdf . Acesso em jul. 2020.

REIS.T. Laissez faire: o que é a expressão fundamental do liberalismo. SUNO. [S.I.] 2020. Disponível em: https://www.sunoresearch.com.br/artigos/laissez-faire/. Acesso em 31 jul. 2020.

SAFFIOTI, Heleieth, I.B. Gênero, patriarcado, violência. – São Paulo: Editora Fundação Perseu Abramo, 2004 – Coleção Brasil Urgente.

SALAMA, Pierre. Para uma nova compreensão da crise. In: ANDERSON. et al. Pós-neoliberalismo: as políticas sociais e o Estado democrático. Organizadores: Emir Sader, Pablo Gentili. Rio de Janeiro: Paz e Terra, 1995.

SCHILD, Verónica. Feminismo e neoliberalismo na América Latina. Revista Outubro, n. 26, julho de 2016. Disponível em: http://outubrorevista.com.br/feminismo-eneoliberalismo-na-america-latina/. Acesso em 20 Set. 2020.

TONET, Ivo. Método científico: uma abordagem ontológica. – São Paulo: Instituto Lukács, 2013.

VINTGES, Karen. Feminismo versus neoliberalismo: práticas de liberdade das mulheres numa perspectiva mundial. Cadernos pagu (56), 2019:e195604. Disponível em: https://www.scielo.br/pdf/cpa/n56/1809-4449-cpa-56-e195604.pdf . Acesso em 02 set. 2020.

Downloads

Publicado

2021-01-16

Como Citar

Elita de Sousa Silva, D. (2021). O ESTADO NEOLIBERAL E A PROPOSTA DE EMPODERAMENTO FEMININO: ORIGENS E LIMITES TEÓRICOS E PRÁTICO-POLÍTICOS. Serviço Social Em Perspectiva, 5(1), 213-233. https://doi.org/10.46551/rssp.202114