DO OLIMPO AO BRASIL CONTEMPORÂNEO: O ESTUPRO CONTRA AS MULHERES E A PERSISTÊNCIA DAS RELAÇÕES DESIGUAIS E HIERÁRQUICAS DE SEXO

  • Revista Serviço Social em Perspectiva
  • Jéssica Venanço da Silva Universidade Federal Fluminense - UFF
  • Paula Martins Sirelli Professora do curso de Serviço Social da Universidade Federal Fluminense/UFFRio das Ostras. Doutora em Serviço Social pela UERJ.
Palavras-chave: Estupro. Dominação Masculina. Patriarcado. Cultura do estupro.

Resumo

Compreender a historicidade das relações sociais de sexo, tomando como ponto de reflexão mitos, expressões artísticas e acontecimentos históricos que legitimam, escondem, banalizam e naturalizam o estupro como uma expressão da violência contra a mulher, de forma a desmistificar os elementos que fundamentam a dominação masculina a partir da estruturação da sociedade patriarcal, é nosso objetivo nestas reflexões. A metodologia utilizada constitui-se de uma apropriação teórica da violência contra a mulher e do estupro como estruturantes das relações de exploração no capitalismo, tendo como norte autoras marxistas que debatem o tema da violência. Foi utilizada também a pesquisa de notícias, lendas e mitos na rede internacional de computadores. Fez-se necessária uma compreensão breve, pelos limites do artigo, do capitalismo e da divisão sexual e racial do trabalho enquanto base material do patriarcado, das relações de exploração e opressão, regendo posições sociais desiguais e hierárquicas para homens e mulheres. É importante para os profissionais que lidam com esta temática entender que o estupro não se limita a uma dimensão sexual, mas constitui-se historicamente como um instrumento de perpetuação de poder masculino e afirmação da virilidade, uma ferramenta de dominação econômica e política sobre as mulheres, de intimidação e subordinação pelo medo. Romper com a cultura do estupro é urgente e tem sido bandeira de luta de movimentos feministas e de profissionais, demonstrando que a desconstrução do machismo é tarefa coletiva e precisa perpassar todas as esferas da vida e dos movimentos dos trabalhadores e trabalhadoras.

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Publicado
2020-01-09