FASHIONISMO ÀS AVESSAS: TRABALHO DE COSTUREIRAS NOS BASTIDORES DA MODA NA CIDADE DO RIO JANEIRO

  • Revista Serviço Social em Perspectiva
  • Aline Lourenço Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro -PUC-Rio
  • Ana Lole Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro - PUC-Rio
  • Inez Stampa Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro - PUC-Rio
Palavras-chave: Precarização do trabalho. Indústria da moda. Capitalismo.

Resumo

Este artigo trata sobre condições e relações de trabalho das costureiras que prestam serviço às marcas de vestuário feminino carioca. São trabalhadoras essenciais na produção das peças comercializadas por renomadas grifes e que não estão incluídas no “mundo do glamour” criado pelas empresas. Antes, estão submetidas à terceirização e subcontratação, práticas que afetam profundamente a classe trabalhadora e se desdobram em importantes alterações na proteção social do trabalho. O texto está baseado em pesquisa desenvolvida sobre a superexploração do trabalho e as diversas formas de trabalho precário, tomando como campo empírico o polo da moda da cidade do Rio de Janeiro, onde foi possível observar o trabalho feminino como umas das suas maiores expressões, além de condições e relações de trabalho degradantes. O impulso ao consumo traz demanda de produção de peças em maior velocidade, com preço menor, favorecendo a intensificação do trabalho em condições precárias, apontando para a superexploração das trabalhadoras desse ramo.

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Publicado
2020-01-09