“A gente são invisível”
uma análise discursiva da percepção da aporofobia nos relatos de pessoas em situação de rua
DOI:
https://doi.org/10.46551/issn.2527-2551v22n1p.138-160Palavras-chave:
discurso, aporofobia, relatos pessoais, semiolinguística, pessoas em situação de ruaResumo
Esse artigo tem como objetivo refletir a respeito do fenômeno da aporofobia a partir de depoimentos de pessoas em situação de rua, a fim de compreender a forma como elas se vêm diante das atitudes da população face a sua presença e o modo como elas representam a sociedade. Para isso, propomo-nos a empreender um estudo de caso, de natureza qualitativa, tomando como objeto de análise três depoimentos de pessoas que vivem no centro da cidade de São Paulo e que foram publicados no Instagram da ONG SP Invisível. Esses depoimentos serão vistos como pequenas “narrativas de vida”, no sentido adotado por Bertaux (2010). A fim de alcançar nossos propósitos, adotamos como referencial teórico e metodológico a Teoria Semiolinguística do Discurso, de Patrick Charaudeau, que nos permitiu descrever a organização discursiva dos relatos e identificar os ethé e os imaginários sociodiscursivos (Charaudeau, 2017) projetados em tais depoimentos. Os dados analisados nos permitiram, entre outros, identificar a construção do imaginário da sociedade como ambiente hostil e o ethos de vítima associado às pessoas em situação de rua.
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