Jornalismo e agência
as vozes da população de rua em narrativas sobre o incêndio na Pousada Garoa
DOI:
https://doi.org/10.46551/issn.2527-2551v22n1p.35-55Palavras-chave:
Jornal Boca de Rua, Zero Hora, agência, jornalismo, silenciamentoResumo
Este artigo tem por objetivo discutir o poder de agência de pessoas em situação de rua no jornalismo, a partir de uma análise comparativa entre matérias do jornal Zero Hora, principal periódico do Rio Grande do Sul, e do Jornal Boca de Rua, publicação feita por um grupo de pessoas em situação de rua de Porto Alegre, Rio Grande do Sul. O recorte empírico foca em reportagens sobre o incêndio na Pousada Garoa, conveniada à prefeitura municipal de Porto Alegre e destinada à moradia de pessoas em situação de vulnerabilidade social. Apesar da grande repercussão do caso, que resultou em 11 mortes, percebemos, nos conteúdos analisados de Zero Hora, pouco espaço de fala para a população de rua e, no único texto que proporciona a ela algum espaço, há também abertura para o posicionamento dos gerentes da pousada, responsáveis pela tragédia. O Jornal Boca de Rua surge, assim, como reação a um silenciamento imposto, expondo outra perspectiva sobre os acontecimentos e sobre a cidade, devolvendo às pessoas em situação de rua o direito à fala e à comunicação
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