A EMOÇÃO CRIADORA: FUNDAMENTOS BIOLÓGICOS E MÍSTICOS DA MORAL NO CAPÍTULO PRIMEIRO DE AS DUAS FONTES DA MORAL E DA RELIGIÃO, DE HENRI BERGSON
DOI:
https://doi.org/10.46551/2448-30952025v31n204Resumo
O presente artigo é uma leitura do primeiro capítulo de Les deux sources de la morale et de la religion, de Henri Bergson. Em vez de análise exegética, busca-se aqui acompanhar o movimento vital que, segundo Bergson, sustenta a moralidade como expressão criadora da própria vida. Em contraste com Kant, que funda o dever na razão pura, e com Durkheim, que o submete à coação social, Bergson concebe a moral como continuidade do élan vital, intenção imanente à existência. A imagem da “centelha” torna-se, nesta leitura, símbolo da irrupção de uma força espiritual no ponto de inflexão em que a inteligência técnica ameaça a unidade humana. A moral não se impõe como norma, mas emerge como impulso amoroso e criativo, comparável ao gesto místico, em que a vida se transcende sem se desarraigar de sua base orgânica. Dialogando com Ernst Cassirer, sobretudo via Florence Caeymaex, o ensaio afirma que a moralidade, em Bergson, nasce da vida mas a ultrapassa — como flor que, nutrida pela terra, se ergue acima dela em forma e sentido.
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