A EMOÇÃO CRIADORA: FUNDAMENTOS BIOLÓGICOS E MÍSTICOS DA MORAL NO CAPÍTULO PRIMEIRO DE AS DUAS FONTES DA MORAL E DA RELIGIÃO, DE HENRI BERGSON

Autores

  • José Maria Carvalho Universidade Estadual de Montes Claros - UNIMONTES

DOI:

https://doi.org/10.46551/2448-30952025v31n204

Resumo

O presente artigo é uma leitura do primeiro capítulo de Les deux sources de la morale et de la religion, de Henri Bergson. Em vez de análise exegética, busca-se aqui acompanhar o movimento vital que, segundo Bergson, sustenta a moralidade como expressão criadora da própria vida. Em contraste com Kant, que funda o dever na razão pura, e com Durkheim, que o submete à coação social, Bergson concebe a moral como continuidade do élan vital, intenção imanente à existência. A imagem da “centelha” torna-se, nesta leitura, símbolo da irrupção de uma força espiritual no ponto de inflexão em que a inteligência técnica ameaça a unidade humana. A moral não se impõe como norma, mas emerge como impulso amoroso e criativo, comparável ao gesto místico, em que a vida se transcende sem se desarraigar de sua base orgânica. Dialogando com Ernst Cassirer, sobretudo via Florence Caeymaex, o ensaio afirma que a moralidade, em Bergson, nasce da vida mas a ultrapassa — como flor que, nutrida pela terra, se ergue acima dela em forma e sentido.

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Biografia do Autor

José Maria Carvalho, Universidade Estadual de Montes Claros - UNIMONTES

Mestre em Filosofia pela Universidade Federal de Ouro Preto (UFOP). Doutorando em Filosofia pela
Universidade Federal de São Paulo (UNIFESP). Professor do Departamento de Filosofia da Universidade
Estadual de Montes Claros (UNIMONTES). Integra o Núcleo de Estudos Afro-Brasileiros da UNIMONTES
(NEAB/UNIMONTES).

Referências

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Publicado

2025-08-17

Como Citar

Carvalho, J. M. (2025). A EMOÇÃO CRIADORA: FUNDAMENTOS BIOLÓGICOS E MÍSTICOS DA MORAL NO CAPÍTULO PRIMEIRO DE AS DUAS FONTES DA MORAL E DA RELIGIÃO, DE HENRI BERGSON. Revista Poiesis, 31(2). https://doi.org/10.46551/2448-30952025v31n204