“QUANDO O DINHEIRO ENTRA NA TRIBO”: A MONETARIZAÇÃO DA VIDA PAITER SURUÍ (1969-1990)

Autores

  • Carlos Alexandre Barros Trubiliano Universidade Federal de Rondônia (UNIR)
  • Bruno Surui Universidade Federal de Rondônia (UNIR)

DOI:

https://doi.org/10.46551/epp2021925

Resumo

O artigo que segue partiu da hipótese de que o avanço da economia madeireira, no território rondoniense, provocou a monetarização da vida dos Paiter Suruí, cuja principal alteração se deu na produção e reprodução da vida material: se antes havia um forte sentido comunal e de coletividade, esse processo passou a ser intermediado pela lógica monetária, acumulatória e individual. O objetivo geral deste estudo foi identificar as transformações na vida dos Paiter Suruí após a monetarização das relações sociais. Especificamente: a investigação buscou historicizar as mudanças e apontar os impactos sociais causados pela lógica monetária na vida dos Paiter Suruí. Como suporte teórico a pesquisa utilizou entre outros teóricos, Georg Simmel, para qual a economia do dinheiro é que determina as relações sociais na modernidade. Para o filosofo alemão nas sociedades pré-monetárias, o indivíduo depende diretamente da coletividade para sua existência, após a monetarização os indivíduos passam a exercer cada vez mais o individualismo, marcado por uma lógica relacional de compra e venda do tempo, das relações sociais e do trabalho.

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Biografia do Autor

Carlos Alexandre Barros Trubiliano, Universidade Federal de Rondônia (UNIR)

Doutor em História (UNESP/Franca). Docente do Curso de Licenciatura Intercultural da Universidade Federal de Rondônia (UNIR).

Bruno Surui, Universidade Federal de Rondônia (UNIR)

Educador, agricultor familiar e graduado em Licenciatura Intercultural na Universidade Federal de Rondônia (UNIR).

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Publicado

2022-02-11

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Artigos