O movimento sindical brasileiro nos anos 2000: hegemonia neodesenvolvimentista e perda de combatividade

Autores

  • Crismanda Maria Ferreira Universidade Federal de Pernambuco (UFPE)

Palavras-chave:

Estado. Partido dos Trabalhadores. Sindicalismo.

Resumo

O presente artigo discute as inflexões, no âmbito do movimento sindical brasileiro, das configurações do Estado sob a hegemonia de governos do Partido dos Trabalhadores no Brasil. A pesquisa de base qualitativa, construída a partir de pesquisa bibliográfica e documental, problematiza os posicionamentos e estratégias sindicais que conformaram, ao nosso ver, uma burocracia sindical orientada para participação ativa no processo de legitimação da política de Estado neodesenvolvimentista, em detrimento da ação protagonista nas lutas operadas pelos trabalhadores nos anos 2000, a exemplo das jornadas de junho de 2013. A Central Única dos Trabalhadores, devido sua aproximação histórica com o Partido dos Trabalhadores, incorporou o discurso do “milagre brasileiro”, em especial, da distribuição de renda, de maneira que suas análises e estratégias sustentaram o projeto governista em curso. Já a Força Sindical teve a subordinação ao patronado como marca central de sua atuação, apontando no sentido de controle e contenção dos conflitos.

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Biografia do Autor

Crismanda Maria Ferreira, Universidade Federal de Pernambuco (UFPE)

Assistente Social e Mestre em Serviço Social pelo Programa de Pós-Graduação em Serviço Social
da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE).

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Publicado

2020-01-14

Como Citar

Maria Ferreira, C. (2020). O movimento sindical brasileiro nos anos 2000: hegemonia neodesenvolvimentista e perda de combatividade. Revista Serviço Social Em Perspectiva, 2(2), 73–92. Recuperado de https://www.periodicos.unimontes.br/index.php/sesoperspectiva/article/view/340