Arquibancadas gremistas: pensando a Coligay a partir do seu entorno
Gremista stands: thinking about Coligay from its surroundings
DOI:
https://doi.org/10.46551/issn.2317-0875v30n2p.112-138Palavras-chave:
Futebol, Torcidas Organizadas, Grêmio Foot-Ball Porto Alegrense, Coligay, EstádioResumo
Este artigo analisa o contexto de surgimento e transformação das torcidas organizadas gremistas, com ênfase na compreensão do ambiente que possibilitou a criação e atuação da Coligay, torcida gay atuante na década de 1970. O objetivo é compreender como seu entorno, no ambiente das arquibancadas, viabilizou o surgimento de uma torcida que rompe com os padrões cisheteronormativos historicamente presentes no futebol. A pesquisa adota uma abordagem qualitativa, com base em entrevistas com ex-integrantes de torcidas, dirigentes do clube e torcedores, além da análise de periódicos. A descrição feita demonstra semelhanças e diferenças do cenário porto-alegrense em comparação com a história das torcidas de Rio de Janeiro e São Paulo. Verifica-se que o Rio Grande do Sul vê multiplicar-se o número de torcidas e formar uma hegemonia das torcidas jovens mais tarde, após a extinção da Coligay. O contexto dos estádios que ela encontrou permitiu sua existência e mesmo o posterior acolhimento de seus ex-membros em outras TOs. A discussão revela a coexistência de diferentes perfis de torcidas — familiares, combativas, festivas — e destaca sua importância como espaços de sociabilidade heterogêneos e mais complexos no que se refere à relação com pessoas LGBTQIAPN+ do que o senso comum da rejeição generalizada supõe.
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