CHAMADA DE ARTIGOS – V. 5 N.01 (2021) - Até 18 de outubro de 2020

2020-08-17

EMENTA:

Em dezembro de 2019, o aparecimento da COVID-19, na China, foi inicialmente assimilado como algo distante do resto do mundo, e isso se deu, em parte, devido às rápidas iniciativas do país na tentativa de contenção do vírus. No entanto, não demorou para que a propagação alcançasse escalas internacionais e repercutisse na dinâmica global da acumulação de capital, inferindo em toda a vida social.

As consequências da crise sanitária emergente repercutiram de forma diferenciada para distintas classes e segmentos populacionais. Entretanto, os efeitos econômicos, sociais, políticos, culturais e ambientais têm se manifestado de forma violenta para grande parte da população mundial, na qual se encontra inserida em espaços profundamente segregados, vivenciando as mais duras realidades.

No Brasil, condições preexistentes geradoras de disparidades sociais ficaram em evidência, bem como a contradição entre capital e trabalho, desnudada pelas desigualdades sociais. Realidade escancarada ao revelar, por exemplo, a população das áreas periféricas como das favelas, em condições desumanas de sobrevivência, expostas através da ausência do Estado na vida da população sem condições: sanitárias, de habitação, saúde e educação, segurança, trabalho. Além da ampliação das ocorrências de violência doméstica, feminicídio, de conflitos no campo, do desmatamento, no esforço para que a economia não pare, garantindo a cumulação do lucro apesar da pandemia. A “crise” anunciada revela os interesses do capital, com conivência do Estado, na efetivação de uma política de genocídio da população negra, pobre, periférica, do campo e da cidade, que tem sido as principais vítimas desta contradição, apenas aguçada pela crise sanitária.

A propagação da pandemia, em um período de políticas de corte e baixo investimento em saúde e educação (com ênfase para a pesquisa), acirrou tais disparidades e tornou explícita a crise sanitária brasileira. A discussão proposta para o presente volume requer uma análise do que de fato determina e atravessa o pano de fundo da pandemia. Não é por acaso que, em diversos períodos históricos, pandemias eclodem em grandes centros urbanos, desvelando situações de risco e vulnerabilidades, mas, também, a necessidade de constituição de sistemas mais efetivos de proteção social.

Diante do exposto, serão aceitos para avaliação trabalhos interdisciplinares que versem sobre a pandemia COVID-19 e os seus efeitos sociais, políticos, educacionais, culturais e ambientais. A proposta não se restringe a uma única área do conhecimento, mas abre o leque para diálogos que, de um modo ou de outro, possuem um ponto de conexão entre si.  

Lembramos que a Revista conta, também, com espaço para submissão de artigos com tema livre, de Resenhas, Resumos de Trabalho de Conclusão de Curso e Relatos de Experiência.