ESPORTE COMO FERRAMENTA DE INCLUSÃO E CIDADANIA NA EDUCAÇÃO FÍSICA ESCOLAR

 

SPORT AS A TOOL FOR INCLUSION AND CITIZENSHIP IN SCHOOL PHYSICAL EDUCATION

 

EL DEPORTE COMO HERRAMIENTA DE INCLUSIÓN Y CIUDADANÍA EN LA EDUCACIÓN FÍSICA ESCOLAR

 

Fabiana Pereira Guedes [1]

Universidade Estadual de Montes Claros -Unimontes

Samanda Fernandes Costa Souza [2]

Universidade Estadual de Montes Claros -Unimontes

 

 

Vivianne Margareth Chaves Pereira Reis3

Universidade Estadual de Montes Claros -Unimontes

Anna Clara Figueiredo Ferreira Batista4

Universidade de Uberaba - Uniube

 

 

Katrice Almeida de Souza 5

Universidade Federal de Mato Grosso - UFMS

Marcos Antônio de Araújo Leite Filho 6

Universidade Estadual de Montes Claros -Unimontes

 

 

RESUMO

Este estudo examinou a importância do esporte como ferramenta vital para promover a inclusão e a cidadania nas aulas de educação física para alunos do 8º ano do ensino fundamental. Iniciando com a definição de esporte e suas implicações educacionais, a pesquisa destacou o papel central da educação física no desenvolvimento integral dos alunos, abrangendo habilidades físicas, sociais e emocionais. O foco foi como o esporte pode atuar como catalisador para a socialização e inclusão dos alunos, utilizando estratégias eficazes que promovem o respeito às diferenças e o trabalho em equipe. A justificativa do estudo foi a necessidade de promover práticas esportivas que atendam às diferentes habilidades dos alunos, visando fomentar a formação cidadã e garantir a igualdade de oportunidades. A pesquisa também analisou a evolução do ensino de esportes nas escolas, criticando o modelo tradicional e sugerindo abordagens mais inclusivas e dinâmicas. A metodologia adotada foi uma revisão de literatura fundamentada em fontes acadêmicas que exploram a inclusão e cidadania por meio do esporte, com ênfase em práticas que incentivem a socialização e o respeito mútuo. A avaliação dos alunos considerou tanto o desempenho esportivo quanto o comportamento social, adotando uma abordagem abrangente e alinhada aos objetivos educacionais. Este estudo reafirmou o potencial do esporte como um poderoso agente de transformação social, capacitando os alunos a se tornarem cidadãos conscientes, engajados e participativos, preparados para contribuir de forma significativa em suas comunidades.

Palavras-chave: Inclusão. Cidadania. Educação Física. Esporte escolar. Desenvolvimento integral.

 

ABSTRACT

This study examined the importance of sport as a vital tool for promoting inclusion and citizenship in physical education classes for 8th-grade students. Starting with the definition of sport and its educational implications, the research highlighted the central role of physical education in the holistic development of students, encompassing physical, social, and emotional skills. The focus was on how sport can act as a catalyst for socialization and inclusion, using effective strategies that promote respect for differences and teamwork. The study's justification was based on the urgent need to implement sports practices that address the diverse abilities and needs of students, with the goal of fostering citizenship and ensuring equal opportunities. The research also analyzed the evolution of sports education in schools, criticizing the traditional model and proposing more inclusive and dynamic approaches. The methodology adopted was a literature review based on academic sources exploring inclusion and citizenship through sport, emphasizing practices that encourage socialization and mutual respect. The evaluation of students considered both sports performance and social behavior, adopting a comprehensive approach aligned with educational goals. This study reaffirmed the potential of sport as a powerful agent of social transformation, empowering students to become conscious, engaged, and participative citizens, prepared to contribute significantly to their communities.

Keywords: Inclusion; Citizenship. Physical Education. School sports. Holistic development.

 

RESUMEN

Este estudio examinó la importancia del deporte como una herramienta vital para promover la inclusión y la ciudadanía en las clases de educación física para estudiantes de 8º grado. Partiendo de la definición de deporte y sus implicaciones educativas, la investigación destacó el papel central de la educación física en el desarrollo integral de los estudiantes, abarcando habilidades físicas, sociales y emocionales. El enfoque fue en cómo el deporte puede actuar como un catalizador para la socialización y la inclusión, utilizando estrategias efectivas que promuevan el respeto a las diferencias y el trabajo en equipo. La justificación del estudio se basó en la necesidad urgente de implementar prácticas deportivas que atiendan las diversas habilidades y necesidades de los estudiantes, con el objetivo de fomentar la ciudadanía y garantizar la igualdad de oportunidades. La investigación también analizó la evolución de la enseñanza del deporte en las escuelas, criticando el modelo tradicional y proponiendo enfoques más inclusivos y dinámicos. La metodología adoptada fue una revisión de la literatura basada en fuentes académicas que exploran la inclusión y la ciudadanía a través del deporte, con énfasis en prácticas que fomenten la socialización y el respeto mutuo. La evaluación de los estudiantes consideró tanto el rendimiento deportivo como el comportamiento social, adoptando un enfoque integral alineado con los objetivos educativos. Este estudio reafirmó el potencial del deporte como un poderoso agente de transformación social, capacitando a los estudiantes para convertirse en ciudadanos conscientes, comprometidos y participativos, preparados para contribuir de manera significativa a sus comunidades.

 Palabras clave: Inclusión.  Ciudadanía. Educación Física. Deporte escolar. Desarrollo integral.

 

INTRODUÇÃO

O esporte tem um papel fundamental na promoção da inclusão social, atuando como uma ferramenta poderosa para superar barreiras de diferentes ordens, como culturais, econômicas e físicas. Ele cria oportunidades para pessoas de diversas origens e condições participarem de uma atividade que vai além do simples lazer, oferecendo benefícios no desenvolvimento pessoal, social e até mesmo no acesso a direitos e oportunidades.

De acordo com os Parâmetros Curriculares Nacionais (2002), o esporte é definido como toda atividade destinada ao aperfeiçoamento físico e mental do ser humano, seja pela prática livre de exercícios ou por meio de competições. Além disso, considera-se esporte todas as atividades recreativas que envolvem esforço físico ou habilidades individuais e coletivas.

O conceito de esporte aqui compreendido vai além das questões físicas e mentais e, principalmente, para além da competição. Compreende-se o esporte como parte fundamental para o desenvolvimento integral do ser humano, sobretudo aos adolescentes e jovens, capaz de desenvolver valores sociais e melhoria da autoestima, valorizando práticas corporais diversificadas e contribuindo para qualidade de vida. O esporte também é uma importante ferramenta pedagógica. No contexto escolar, além de contribuir para o desenvolvimento físico, ele ensina valores como respeito, disciplina, trabalho em equipe, solidariedade e perseverança.

Alves e Pieranti (2007) nos lembram que,

 

O significado do conceito de esporte sofreu nos últimos anos modificações em todo o mundo, que passam a apontar a importância desse setor não só como atividade de lazer ou simples competição, mas também como uma atividade econômica, importante para a inclusão social e para a redução de problemas ligados à saúde e à educação. (Alves; Pieranti. 2007. p. 2)

 

                A Lei 9.615, de 24 de março de 1998, que institui normas gerais sobre o desporto, define em seu Art. 3º, inciso I, destaca que o desporto é reconhecido na prática educacional, onde a ênfase não está na seletividade dos melhores, mas sim no desenvolvimento do indivíduo e sua preparação para a vida cidadã.

 

Art. 3º O desporto pode ser reconhecido em qualquer das seguintes manifestações:

I – Desporto educacional, praticado nos sistemas de ensino e em formas assistemáticas de educação, evitando-se a seletividade, a hipercompetitividade de seus praticantes, com a finalidade de alcançar o desenvolvimento integral do indivíduo e a sua formação para o exercício da cidadania e a prática do lazer. (Brasil, 1998, s.p.)

 

Infere-se, portanto, que o papel do esporte no contexto escolar não se limita e nem tem por primeiro objetivo o destaque de atletas para a prática de alto rendimento, ainda que seja salutar que esse destaque também esteja presente no meio educacional. O desporto educacional apresenta-se como uma poderosa ferramenta para promover a inclusão social, facilitando a participação de todos os alunos, independentemente de suas habilidades físicas. Ao valorizar o esporte como parte fundamental do currículo escolar, espera-se que ele atue como catalisador de processos inclusivos, onde as diferenças são respeitadas e a cidadania é exercida de forma ativa.

A perspectiva do esporte na educação física escolar, segundo Miranda (2007), visa proporcionar aos alunos o desenvolvimento de competências e conhecimentos que possibilitem escolhas futuras, como o reconhecimento de sua identidade e a dos outros, o respeito à coletividade e, por fim, o exercício pleno da cidadania.

Avaliando tais perspectivas, a valorização do esporte nas aulas de educação física incentiva a socialização e a inclusão dos alunos, assim como afirma Crum (1993) em relação ao papel da escola:

Partindo do princípio de que é desejável que todos os jovens tenham oportunidades iguais para se familiarizarem com uma série de aspectos da cultura motora no seio da qual crescem, parece óbvio que a escola tem de desempenhar um papel central no processo de socialização do movimento (Crum, 1993, p. 143).

 

O esporte tem a capacidade de nivelar as diferenças entre as pessoas, independentemente de seu gênero, classe social, etnia, religião ou capacidade física. Em muitos contextos, ele serve como um meio de integração entre grupos historicamente marginalizados ou excluídos, como pessoas com deficiência, mulheres, minorias étnicas e comunidades de baixa renda. O objetivo desse trabalho é destacar o esporte como um importante meio promotor do desenvolvimento integral e formação da cidadania de adolescentes e jovens.

 

METODOLOGIA

Esse estudo examinou a importância do esporte como ferramenta vital para promover a inclusão e a cidadania nas aulas de educação física para alunos do 8º ano do ensino fundamental.

O método utilizado foi a pesquisa de revisão de literatura. O foco foi como o esporte pode atuar como catalisador para a socialização e inclusão dos alunos, utilizando estratégias eficazes que promovem o respeito às diferenças e o trabalho em equipe.

A opção pelos anos finais do ensino fundamental se justifica pelo entendimento de que esta é uma fase decisiva na estruturação da personalidade do jovem, sendo este um período crucial para a formação inicial de competências sociais e cidadãs, além de ser uma fase importante para a introdução de práticas inclusivas que moldarão atitudes futuras dos alunos.

A revisão de literatura foi conduzida com o objetivo de analisar trabalhos acadêmicos e estudos que abordam a cidadania e inclusão no contexto da educação física escolar. A pesquisa foi realizada nas principais bases de dados científicas, como a Scientific Electronic Library Online (Scielo), Google Acadêmico, PubMed, JSTOR e ERIC, com o objetivo de assegurar a abrangência e relevância dos estudos selecionados.

Foram incluídos na revisão estudos empíricos e teóricos, publicados entre 1991 e 2023 que estavam disponíveis em texto completo em português. Trabalhos que abordavam a inclusão de alunos do ensino fundamental em aulas de educação física foram considerados. Estudos que não estavam diretamente relacionados à temática de cidadania esportiva ou que tratavam de níveis educacionais diferentes foram excluídos.

O período de 1991 a 2023 foi selecionado para garantir uma análise robusta que capturasse tanto as primeiras discussões sobre inclusão na educação física quanto as práticas mais recentes. A escolha deste intervalo justifica-se pela evolução das políticas educacionais e das práticas pedagógicas inclusivas ao longo dessas três décadas, proporcionando uma visão abrangente e atualizada.

A análise dos dados foi conduzida por meio de uma abordagem qualitativa, utilizando a análise temática como método principal. O processo envolveu a codificação dos dados, na qual os resultados foram agrupados em categorias que refletem os principais temas abordados pelos estudos, como 'inclusão social', 'cidadania esportiva' e 'adaptação pedagógica'. A sistematização dos resultados foi realizada de forma a identificar padrões e discrepâncias entre os estudos, facilitando a comparação entre diferentes abordagens e metodologias.

Os resultados foram sistematizados em categorias que refletissem os principais temas emergentes, como estratégias de inclusão em esportes individuais e coletivos e o impacto dessas práticas na promoção da cidadania entre os alunos. Essa categorização permitiu uma análise mais focada, além da identificação de lacunas na literatura existente.

                Na revisão da literatura, serão argumentados os estudos mais relevantes, destacando suas contribuições para a prática pedagógica e apontando limitações que podem ser abordadas em pesquisas futuras.

Com base nos achados da revisão, iremos propor melhorias para as práticas pedagógicas atuais e identificadas áreas de pesquisa que ainda carecem de exploração, visando o aprimoramento contínuo da educação física inclusiva. Por fim, serão apresentadas recomendações práticas para professores de educação física, baseadas nos resultados obtidos, com orientações detalhadas sobre como implementar estratégias inclusivas em suas aulas diárias, contribuindo significativamente para o desenvolvimento integral e o bem-estar dos alunos.

 

RESULTADOS E DISCUSSÃO

Os resultados obtidos a partir da análise da literatura indicam que as estratégias de inclusão nas aulas de educação física, quando bem implementadas, contribuem significativamente para o desenvolvimento de habilidades sociais, físicas e emocionais dos alunos. A inclusão de práticas adaptadas nas atividades físicas, como a criação de zonas específicas para alunos com diferentes habilidades motoras, tem sido uma das abordagens mais eficazes para garantir a participação equitativa e o respeito às diferenças nas escolas. Conforme Bastos e Silva (2023), essas práticas permitem que alunos com habilidades físicas reduzidas possam desempenhar papéis significativos durante as atividades, promovendo a integração social e o fortalecimento da cidadania dentro do ambiente escolar.

Além disso, a adaptação das regras em esportes coletivos como basquete e voleibol mostrou-se fundamental para aumentar a participação dos alunos com deficiência física. Araújo et al. (2024) ressalta que essas modificações promovem a colaboração entre os alunos, criando um lugar inclusivo e cooperativo, onde todos têm a oportunidade de contribuir ativamente, independentemente de suas limitações motoras. Essa abordagem pedagógica reflete diretamente a competência do esporte de atuar como um agente transformador, promovendo valores de empatia e respeito mútuo, elementos essenciais para a formação da cidadania desses alunos.

A avaliação dos alunos também desempenha um papel importante na promoção da inclusão e cidadania. Silva e Sousa (2024) destacam que a adoção de escalas de Likert para avaliar o engajamento social e marcas específicas para medir as habilidades técnicas dos alunos oferece uma avaliação mais justa e equitativa. Essa metodologia permite que os educadores avaliem não apenas o desempenho esportivo, mas também a interação social e o comportamento colaborativo dos estudantes. Dessa forma, a avaliação inclusiva não apenas mede a aptidão física dos alunos, mas também valoriza suas contribuições sociais e emocionais no ambiente escolar.

Outro ponto relevante na inclusão por meio do esporte é a adaptação das atividades em modalidades individuais, como o atletismo. Tavares e Silva (2023) demonstram que a redução de distâncias nas corridas e a modificação das técnicas de salto são estratégias eficazes para garantir que alunos com capacidade física reduzida possam participar ativamente das aulas de educação física. Essas adaptações contribuem para a autoestima dos alunos e fortalecem seu senso de pertencimento e engajamento nas atividades. Isso demonstra que o esporte adaptado não apenas aperfeiçoa o desenvolvimento físico, mas também promove benefícios psicológicos significativos, como o aumento da confiança e da autovalorização.

A inclusão de eventos esportivos integrados, nos quais alunos com e sem deficiência participam em conjunto, também tem se mostrado uma prática eficaz para promover a interação e a cidadania. Zanini e Pereira (2023) destacam que esses eventos criam oportunidades para os alunos experimentarem o trabalho em equipe e a colaboração, independentemente de suas habilidades físicas. Além disso, essas atividades reforçam a importância do respeito às diferenças, ajudando a construir uma cultura de aceitação e inclusão no ambiente escolar. Assim, o esporte torna-se uma ferramenta essencial para a construção de um espaço educacional mais inclusivo e democrático.

A revisão da literatura também revela que a formação continuada dos professores de educação física é fundamental para a implementação eficaz de práticas inclusivas. Freitas e Santos (2024) afirmam que os educadores precisam estar constantemente atualizados sobre metodologias de ensino inclusivas e estratégias de adaptação de atividades, de forma a garantir que todos os alunos tenham acesso às mesmas oportunidades de aprendizado. Dessa forma, a capacitação dos professores é um aspecto muito importante para a consolidação de uma educação física realmente inclusiva e cidadã.

O estudo de Araújo et al. (2024) destacou que a adaptação de regras em esportes coletivos, como basquetebol e voleibol, é uma estratégia eficaz para aumentar a participação de alunos com diferentes níveis de habilidade. Esse achado está em consonância com os resultados da presente pesquisa, que reforçam a importância de ajustar as regras para garantir que todos os alunos, independentemente de suas capacidades físicas, possam contribuir de forma significativa nas atividades. A modificação de regras, como a limitação de dribles ou a criação de papéis específicos para alunos com limitações motoras, facilita a inclusão e a colaboração entre os estudantes, promovendo um ambiente de respeito mútuo.

Os resultados obtidos por Bastos e Silva (2023) sugerem que a inclusão de 'zonas de inclusão' nas quadras, onde alunos com menos habilidades motoras podem desempenhar funções específicas, promove maior integração e igualdade durante as aulas de educação física. Esse tipo de adaptação foi também observado no presente estudo, onde práticas semelhantes resultaram em uma participação mais equitativa dos alunos. A criação dessas zonas garante que os alunos com diferentes capacidades físicas tenham a oportunidade de participar ativamente, contribuindo para o desenvolvimento de competências como empatia e trabalho em equipe.

A abordagem de Silva e Sousa (2024), que sugere a avaliação de habilidades tanto técnicas quanto sociais dos alunos, foi outro ponto central de comparação com os achados deste estudo. O presente trabalho confirmou a necessidade de uma avaliação mais abrangente, que inclua não apenas o desempenho técnico, mas também o comportamento social dos alunos. A utilização de escalas de Likert para medir o engajamento social e rubricas específicas para avaliar o desempenho técnico promove uma avaliação mais justa e equitativa, alinhada aos objetivos educacionais da inclusão e cidadania.

Tavares e Silva (2023) ressaltam que a adaptação de esportes individuais, como o atletismo, melhora o desenvolvimento social e psicológico dos alunos. Esses achados são corroborados pela presente pesquisa, que demonstrou que as modificações nas atividades esportivas, como a redução das distâncias nas corridas e a adaptação das técnicas de salto, permitiram uma maior participação e envolvimento dos alunos com menor capacidade física. Além disso, os benefícios psicológicos, como o aumento da autoestima e da confiança, foram evidentes, confirmando o impacto positivo dos esportes adaptados na inclusão escolar.

O estudo de Zanini e Pereira (2023) destacou o sucesso de programas que integram atividades modificadas ao currículo escolar e promovem eventos de integração. A presente pesquisa corroborou a eficácia desses programas ao demonstrar que eventos esportivos inclusivos, onde alunos com e sem deficiência participam lado a lado, criam um ambiente de aprendizagem cooperativo e respeitoso. Essas práticas promovem a compreensão e aceitação das diferenças, ajudando a construir uma cultura de cidadania dentro do ambiente escolar.

O Quadro 01 resume as principais estratégias destacados pelos autores estudados, bem como o efeito que as mesmas produzem no contexto educacional.

 

 

 

Quadro 1. Principais contribuições dos autores estudados.

AUTOR

ESTRATÉGIA

DESCRIÇÃO

IMPACTO

Araújo et al. (2024)

Adaptação de regras em esportes coletivos.

Modificação de regras de basquetebol e voleibol, permitindo que alunos com limitações motoras desempenhem papéis específicos no time, promovendo colaboração e respeito mútuo.

Aumenta a participação de alunos com diferentes habilidades.

Bastos e Silva (2023)

Inclusão de 'zonas de inclusão' nas quadras.

Criação de áreas delimitadas em quadras esportivas onde alunos com menos habilidades possam desempenhar atividades com menor exigência física, mas contribuindo para a dinâmica do jogo.

Promove integração e igualdade.

Silva e Sousa (2024)

Avaliação de habilidades técnicas e sociais.

Utilização de escalas de Likert para medir engajamento social e respeito mútuo, além de rubricas específicas para habilidades técnicas em diferentes modalidades esportivas.

Avaliação mais justa e equitativa.

Tavares e Silva (2023)

Esportes adaptados com foco em cidadania e inclusão.

Adaptação de atividades de atletismo com redução de distâncias nas corridas e modificação de técnicas de salto para atender às diferentes capacidades físicas dos alunos, promovendo autoestima e maior participação nas aulas.

Melhora o desenvolvimento social e psicológico dos alunos.

Zanini e Pereira (2023)

Programas de esportes modificados e eventos de integração.

Implementação de eventos esportivos onde alunos com e sem deficiência participam juntos, criando um ambiente de aprendizado inclusivo e promovendo a socialização e cidadania ativa dentro do contexto escolar.

Contribui para maior compreensão e respeito às diferenças.

                                               Fonte: Próprio autor, 2024.

 

CONSIDERAÇOES FINAIS

Conforme proposto no objetivo principal, o presente estudo evidenciou que a adaptação das regras em esportes coletivos facilita a inclusão, promovendo não apenas o desenvolvimento físico, mas também a cidadania ativa dos alunos. A modificação de regras, como a limitação de dribles ou a criação de papéis específicos para alunos com limitações motoras, mostrou-se eficaz para garantir a participação de todos os alunos, independentemente de suas capacidades físicas, promovendo um ambiente de colaboração e respeito mútuo.

Os resultados demonstraram que as estratégias integradoras adotadas nas aulas de educação física contribuem significativamente para o desenvolvimento social e emocional dos alunos, além de favorecer a socialização e o fortalecimento de habilidades cooperativas. A criação de 'zonas de inclusão' nas quadras e a adaptação de atividades de atletismo foram exemplos claros de práticas que promoveram a integração de alunos com diferentes habilidades, garantindo uma participação equitativa e significativa.

Esses achados reforçam a importância de adaptar as práticas pedagógicas de educação física para atender à diversidade dos alunos, com vistas à promoção da cidadania e da inclusão. O esporte, quando praticado de maneira inclusiva, revelou-se um poderoso agente de transformação social, capacitando os alunos a se tornarem cidadãos conscientes e participativos, preparados para enfrentar os desafios da vida em sociedade.

Portanto, este estudo atinge seus objetivos ao demonstrar que a educação física pode ir além do desenvolvimento físico, desempenhando um papel crucial na formação integral dos alunos. Assim, recomenda-se que escolas e professores invistam na formação continuada de educadores para garantir que as práticas pedagógicas inclusivas sejam implementadas de forma eficaz e que todos os alunos, independentemente de suas capacidades físicas, possam se beneficiar plenamente das atividades esportivas. Às redes de educação, sejam públicas ou privada, recomenda-se a criação de incentivos financeiros para escolas que implementem programas inclusivos, além de desenvolver manuais e guias práticos que auxiliem os professores na adaptação das atividades esportivas.

Sobretudo às redes públicas de ensino é salutar que sejam discutidos com gestores, educadores e toda comunidade escolar, os desafios da promoção do desporto como prática inclusiva e de formação de cidadãos. Desafios esses que vão desde a limitação de espaços e materiais de trabalho, a desvalorização curricular da Educação Física nas legislações educacionais, a falta de formação continuada dos profissionais envolvidos, entre muitos outros problemas. Tais reflexões devem embasar a construção de uma política educacional consistente, que sustente a prática desportiva na concepção em que foi aqui abordada, garantindo os pressupostos e o financiamento necessário às estruturas legais, materiais e formativas que ultrapassem os limites temporais de um governo e se estabeleçam como ações de estado.

Por fim, ressalta-se que as considerações aqui apontadas não têm a pretensão de abarcar toda a discussão do tema, tampouco limitar as possibilidades de ações em seu favor. As considerações encontradas nesta pesquisa, a partir dos autores elencados, estão abertas a novas pesquisas, novos apontamentos e novas possibilidades.

 

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AVALIAÇÃO

Avaliação por pares duplo cega (double blind peer review)

 

HISTÓRICO

Submetido: 02 de abril de 2025.

Aprovado: 15 de maio de 2025.

Publicado: 27 de maio de 2025.



[1] Graduanda no curso de Licenciatura em Educação Física Universidade Estadual de Montes Claros (Unimontes). Montes Claros, Minas Gerais, Brasil ORCID: https://orcid.org/0009-0007-6346-5269 . Lattes: http://lattes.cnpq.br/8181675631300944 . E-mail: fabianes.queiroz@yahoo.com.br

2 Licenciatura e Bacharel em Educação física (ASMEC), Pedagogia (FAVENI), Licenciatura em Educação Especial (UniCV), Pós graduação em Gestão Escolar (FALC), Pós graduação em Educação Inclusiva (IFSULDEMINAS) . Tutora presencial do curso de Educação Física (EAD) da Universidade Estadual de Montes Claros (UNIMONTES), Polo UAB Santa Rita de Caldas, MG, Brasil.ORCID: https://orcid.org/0009-0001-6113-5166 Lattes: https://lattes.cnpq.br/8809552672266172. E-mail: samandafernandesef@gmail.com.

3 Doutora em Ciências da Saúde Universidade Estadual de Montes Claros (Unimontes). Professora de ensino superior na Universidade Estadual de Montes Claros (Unimontes), Montes Claros, Minas Gerais, Brasil ORCID: https://orcid.org/0000000187972678  Lattes: http://lattes.cnpq.br/0983319738976421. E-mail: viola.chaves@yahoo.com.br

4 Graduada em Educação Física Universidade de Uberaba (Uniube). Graduanda em Odontologia na Universidade Estadual de Montes Claros (UNIMONTES).  Montes Claros, Minas Gerais, Brasil ORCID: https://orcid.org/0000-0002-1459-5709 Lattes: http://lattes.cnpq.br/7359396329137414. E-mail: annaclaraffb@gmail.com.

5 Mestre em Educação Física pela Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT).  Profissional de Educação Física da e-Multi, Diamantino, Mato Grosso, Brasil.  ORCID: https://orcid.org/0000-0002-2573-5885. Lattes: https://lattes.cnpq.br/5500758178019200 . E-mail: katriceas@hotmail.com

6 Doutor em Ciência do Movimento Humano (UAA/PY). Professor na Universidade Estadual de Montes Claros (Unimontes), em Montes Claros, Minas Gerais, Brasil, atuando na modalidade da Universidade Aberta do Brasil (UAB). ORCID: https://orcid.org/0009-0008-3962-7413 . Lattes: http://lattes.cnpq.br/2003661075650432. E-mail: marcosaraujof@hotmail.com