PSICOMOTRICIDADE NA EDUCAÇÃO FÍSICA INFANTIL: CONSTRUINDO UMA APRENDIZAGEM INTEGRAL
PSYCHOMOTORITY IN CHILDREN’S PHYSICAL EDUCATION: BUILDING A HOLISTIC LEARNING
PSICOMOTRICIDAD EM LA EDUCACIÓN FÍSICA INFANTIL: CONSTRUYENDO UN APRENDIZAJE INTEGRAL
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Maíra Oliveira Nogueira[1] Universidade Estadual de Montes Claros - UNIMONTES |
Josária Ferraz Amaral[2] Academia da Força Aérea - AFA |
RESUMO
A Psicomotricidade é um campo que investiga o ser humano por meio do movimento corporal e suas interações com o ambiente, considerando as capacidades do indivíduo de perceber e interagir com seu entorno, outras pessoas e seus próprios processos internos. Este estudo teve como objetivo analisar as práticas psicomotoras aplicadas nas aulas de Educação Física escolar e suas implicações na aprendizagem e no desenvolvimento infantil, com foco na eficácia dessas abordagens e nos desafios para sua implementação. Realizou-se uma revisão narrativa de artigos publicados entre 2010 e 2024, utilizando descritores como "Psicomotricidade", "Educação Física", "Educação Infantil" e “Escola”. A triagem resultou na seleção de sete artigos que investigaram práticas psicomotoras e suas implicações na Educação Física escolar. Os resultados indicam que essas práticas são eficazes para o desenvolvimento infantil, promovendo melhorias nas habilidades motoras e cognitivas, além de benefícios nas relações afetivas. No entanto, a pesquisa também revela a subutilização da Psicomotricidade nas escolas, principalmente devido à falta de capacitação dos professores. Assim, é fundamental integrar a Psicomotricidade de forma planejada nas aulas de Educação Física, com ênfase na formação contínua dos educadores e na necessidade de políticas públicas que assegurem a implementação dessas práticas no currículo escolar.
Palavras-chave: Psicomotricidade. Educação Infantil. Educação Física. Escola.
ABSTRACT
Psychomotricity is a field that investigates the human being through bodily movement and its interactions with the environment, considering the individual's capacity to perceive and interact with their surroundings, other people, and their own internal processes. This study aimed to analyze the psychomotor practices applied in physical education classes in schools and their implications for learning and child development, focusing on the effectiveness of these approaches and the challenges for their implementation. A narrative review was conducted of articles published between 2010 and 2024, using descriptors such as "Psychomotricity," "Physical Education," "Early Childhood Education," and "School." The screening resulted in the selection of seven articles that investigated psychomotor practices and their implications in school physical education. The results indicate that these practices are effective for child development, promoting improvements in motor and cognitive skills, as well as benefits in affective relationships. However, the research also reveals the underutilization of Psychomotricity in schools, mainly due to the lack of teacher training. Therefore, it is essential to integrate Psychomotricity in a planned manner into physical education classes, emphasizing the ongoing training of educators and the need for public policies that ensure the implementation of these practices in the school curriculum.
Keywords: Psychomotricity. Physical Education. Early Childhood Education. School.
La psicomotricidad es un campo que investiga al ser humano a través del movimiento corporal y sus interacciones con el entorno, considerando la capacidad del individuo para percibir e interactuar con su entorno, otras personas y sus propios procesos internos. Este estudio tuvo como objetivo analizar las prácticas psicomotoras aplicadas en las clases de educación física en las escuelas y sus implicaciones para el aprendizaje y el desarrollo infantil, centrándose en la eficacia de estos enfoques y en los desafíos para su implementación. Se realizó una revisión narrativa de artículos publicados entre 2010 y 2024, utilizando descriptores como "Psicomotricidad", "Educación Física", "Educación Infantil" y "Escuela". La selección resultó en la elección de siete artículos que investigaron las prácticas psicomotoras y sus implicaciones en la educación física escolar. Los resultados indican que estas prácticas son efectivas para el desarrollo infantil, promoviendo mejoras en las habilidades motoras y cognitivas, así como beneficios en las relaciones afectivas. Sin embargo, la investigación también revela la subutilización de la psicomotricidad en las escuelas, principalmente debido a la falta de formación de los profesores. Por lo tanto, es esencial integrar la psicomotricidad de manera planificada en las clases de educación física, enfatizando la formación continua de los educadores y la necesidad de políticas públicas que aseguren la implementación de estas prácticas en el currículo escolar.
Palabras clave: Psicomotricidad. Educación Física. Educación Infantil. Escuela.
INTRODUÇÃO
A Psicomotricidade é um campo que investiga o ser humano por meio do movimento corporal e suas interações com o ambiente interno e externo, abrangendo as capacidades do indivíduo de perceber e interagir com seu entorno, outras pessoas e seus próprios processos internos. Durante os primeiros anos de vida, especialmente na fase escolar, é comum que as crianças enfrentem desafios motores e cognitivos, como dificuldades na leitura e na escrita (Aquino, 2012). Nesse contexto, os exercícios psicomotores desempenham um papel essencial no desenvolvimento dessas habilidades, sendo fundamentais para o processo de aprendizagem (Negrini, 1980).
A Psicomotricidade está, portanto, intimamente ligada ao processo de aprendizagem, pois o movimento é crucial para a maturação do sistema nervoso infantil e para a compreensão do mundo exterior por meio das sensações corporais e da percepção. O desenvolvimento infantil se favorece de atividades que aprimoram o esquema corporal, a lateralidade, a coordenação motora, o equilíbrio, além da estruturação espacial e da orientação temporal. Deficiências em qualquer um desses aspectos podem comprometer o desenvolvimento integral e o desempenho da criança (Monteiro, 2015).
As dificuldades de aprendizagem podem surgir quando o ensino não respeita as fases do desenvolvimento psicomotor da criança. Assim, a abordagem psicomotora deve ir além da reeducação, enfatizando a importância da educação psicomotora desde os primeiros anos. Essa abordagem é fundamental para compreender e apoiar as funções psicomotoras, contribuindo para um desenvolvimento infantil saudável (Lapierre, 2002).
A fase da educação infantil é especialmente crucial para a aplicação da psicomotricidade, pois é nesse período que as crianças começam a explorar o movimento e suas capacidades corporais. O papel do professor é vital para reconhecer e respeitar as dimensões mentais e motoras em desenvolvimento, entendendo que cada criança apresenta um ritmo único de aprendizado (Souza; Silva, 2013).
A importância da psicomotricidade na educação primária é significativa, pois condiciona todos os aprendizados subsequentes ao promover a consciência corporal, a lateralidade, a orientação espacial e a coordenação motora. Para que esses benefícios sejam plenamente alcançados, essa prática deve ser iniciada desde a mais tenra idade e realizada de forma contínua, evitando problemas de adaptação que podem ser difíceis de corrigir mais tarde (Le Boulch, 1984).
Considerando o papel integrador da Psicomotricidade e da Educação Física no desenvolvimento motor, cognitivo e afetivo-social da criança, este estudo tem como objetivo analisar as práticas psicomotoras aplicadas nas aulas de Educação Física escolar e suas implicações na aprendizagem e no desenvolvimento infantil, com ênfase na eficácia dessas abordagens e nos desafios para a sua implementação.
METODOLOGIA
Esta revisão narrativa foi realizada por meio de uma pesquisa abrangente de artigos originais publicados entre 2010 e 2024, em língua portuguesa. A busca foi conduzida no Portal de Periódicos da Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (CAPES) e, de forma complementar, na ferramenta Google Scholar. Foram utilizados os seguintes descritores combinados para a identificação dos estudos relevantes: "Psicomotricidade", "Educação Física", "Educação Infantil" e "Escola". Esses termos foram pesquisados especificamente em títulos e resumos para assegurar a relevância dos documentos selecionados.
A triagem inicial consistiu na análise dos títulos e resumos dos artigos. Os estudos que atenderam aos critérios de inclusão avançaram para a etapa de leitura completa. Os critérios de inclusão foram restritos a estudos que investigaram as práticas psicomotoras e suas implicações na Educação Física escolar. Artigos que não estavam disponíveis na íntegra para acesso online ou que apresentavam inconsistências significativas nos dados foram excluídos da revisão.
Após a seleção inicial dos artigos relevantes, foi realizada uma busca adicional nas referências bibliográficas desses estudos. Esta etapa teve como objetivo localizar trabalhos suplementares. Os artigos que atenderam aos critérios estabelecidos e foram identificados nessa busca adicional foram incorporados à revisão.
RESULTADOS
Foram identificados 200 estudos. Após a aplicação dos critérios de inclusão e exclusão, foram selecionados 7 artigos originais. Foram excluídos da análise artigos de revisão, dissertações, monografias e estudos que não abordavam a psicomotricidade nas aulas de Educação Física na Educação Básica, especificamente na primeira etapa.
Quadro 1 – Principais características dos estudos selecionados.
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Autor (ano) |
Objetivo |
Principais Resultados |
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BOETTGE, G. R.; BERSCH, A. A. S.(2018) |
Investigar as repercussões das sessões de Psicomotricidade Relacional nas aprendizagens biopsicossociais de alunos da Educação Infantil. |
As sessões contribuíram para o desenvolvimento integral, promovendo relações entre crianças, objetos e contextos, ressignificando as aprendizagens na Educação Infantil. |
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Gomes, I. C. et al. (2017) |
Mostrar a contribuição das aulas de Educação Física para o desenvolvimento psicomotor de crianças do Ensino Infantil. |
As aulas de Educação Física contribuíram significativamente para o desenvolvimento psicomotor das crianças, com melhorias na noção do corpo, e estruturação espaço-temporal, com resultados estatisticamente significativos. |
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Maia, S. T. M. (2012) |
Verificar a aplicação da Psicomotricidade como ferramenta pedagógica nas aulas de Educação Física Infantil. |
A Psicomotricidade é pouco explorada, mas apresenta potencial para ser utilizada como ferramenta pedagógica nas aulas de Educação Física Infantil, evoluindo o desenvolvimento motor, cognitivo e social. |
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Martins, W. A. et al. (2019) |
Descobrir o perfil psicomotor dos alunos da Educação Infantil e comparar aqueles que foram submetidos a atividades psicomotoras com os que não foram. |
Alunos submetidos às aulas de Educação Física obtiveram melhores resultados no desenvolvimento psicomotor comparados aos que não participaram, destacando a importância da intervenção psicomotora na infância. |
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Moura, J. B. F. et al. (2021) |
Observar dificuldades psicomotoras em crianças da Educação Infantil. |
Identificaram-se dificuldades motoras e cognitivas, como equilíbrio e estruturação temporal. A presença de professores capacitados é crucial para melhorar essas habilidades. |
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SANTOS, H. U. B.; JOÃO R. B.; CARVALHO, J. O. (2019) |
Analisar a influência da Psicomotricidade Relacional nas relações afetivas entre crianças durante as aulas de Educação Física. |
O uso da Psicomotricidade Relacional ajudou na expressão de sentimentos e resolução de conflitos inconscientes. A metodologia contribuiu para o desenvolvimento psicoafetivo e social das crianças e revelou a importância do papel do professor na mediação pedagógica. |
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Teixeira et al. (2019) |
Analisar o perfil psicomotor de escolares do ensino infantil para compreender o desenvolvimento psicomotor das crianças. |
A maioria dos alunos apresentou um perfil eupráxico, indicando um desenvolvimento psicomotor adequado e controlado. O estudo sugere a eficácia das práticas psicomotoras na promoção do desenvolvimento infantil. |
Fonte: Própria autora (2024).
DISCUSSÃO
A partir da análise crítica dos estudos revisados, buscamos entender como as práticas psicomotoras são aplicadas e quais são seus impactos nas crianças da Educação Infantil, considerando o potencial da psicomotricidade como ferramenta pedagógica. Além disso, a revisão teve como objetivo identificar desafios e lacunas na implementação dessas práticas, propondo caminhos para otimizar sua utilização no ambiente escolar.
Os resultados dos estudos analisados mostram uma clara convergência em relação aos benefícios da psicomotricidade no contexto da Educação Física Infantil. Autores como Boettge e Bersch (2018), Gomes et al. (2017) e Martins et al. (2019) demonstram que as práticas psicomotoras têm um impacto significativo no desenvolvimento motor e cognitivo das crianças. As sessões de psicomotricidade relacional foram apontadas por Boettge e Bersch (2018) como fundamentais para o desenvolvimento biopsicossocial, promovendo a integração entre crianças, objetos e contextos. Esse estudo destacou o uso dessas sessões para ressignificar aprendizagens e desenvolver habilidades socioemocionais.
Além disso, Gomes et al. (2017) afirmaram que a Educação Física, quando estruturada em torno de atividades psicomotoras, promove avanços no desenvolvimento motor, especialmente na estruturação espaço-temporal e na percepção do corpo. Martins et al. (2019) reforçam esses achados, mostrando que alunos envolvidos em atividades psicomotoras apresentaram um perfil psicomotor superior em comparação àqueles que não participaram, ressaltando a importância das intervenções nas primeiras etapas da educação formal.
Entretanto, pesquisas apontam dificuldades na implementação da psicomotricidade nas escolas (Maia, 2012; Moura et al., 2021). Um exemplo é o estudo realizado por Maia (2012) na escola APAE-AP, em Macapá-AP, que envolveu 10 alunos com idades entre 4 e 5 anos, todos sem limitações físicas ou cognitivas. A pesquisa incluiu entrevistas com o professor e observações diretas das aulas, revelando que, embora a psicomotricidade seja reconhecida como uma ferramenta pedagógica valiosa para o desenvolvimento motor, cognitivo e social das crianças, sua prática ainda enfrenta barreiras significativas. Dentre os fatores limitantes, destacam-se a falta de formação específica dos educadores, a escassez de recursos didáticos adequados e a necessidade de um planejamento cuidadoso para atividades que promovam o aprendizado por meio do brincar. O estudo também enfatizou a importância da interação social e das emoções no processo de aprendizagem, ressaltando que as atividades psicomotoras devem ser cuidadosamente planejadas para estimular a criatividade e a espontaneidade dos alunos, criando, assim, um ambiente educativo mais eficaz e inclusivo.
O estudo de Moura (2021), realizado no contexto da Educação Infantil em Sobral, Ceará, também corrobora esses achados. O foco da pesquisa foi explorar como as atividades psicomotoras nas aulas de Educação Física podem contribuir para o desenvolvimento integral das crianças na faixa etária de 4 a 6 anos. Os principais obstáculos identificados foram a falta de formação específica dos educadores, que dificulta a aplicação adequada das práticas psicomotoras, e a escassez de recursos didáticos, que limita as atividades a serem realizadas. Além disso, a necessidade de um planejamento cuidadoso para promover o aprendizado por meio do brincar representa um desafio adicional, especialmente em contextos com restrições de tempo e currículo. A resistência à inclusão de novas abordagens pedagógicas por parte de alguns educadores também é mencionada como um fator que pode comprometer a efetividade dessas práticas nas aulas.
Esses desafios evidenciam a importância de investir na formação de professores e na adequação dos recursos disponíveis para facilitar a integração da psicomotricidade na educação infantil. As semelhanças entre os estudos indicam que, apesar das diferenças contextuais, existem padrões comuns nas dificuldades enfrentadas na implementação da psicomotricidade nas aulas de Educação Física infantil. Essas divergências revelam um desafio importante: enquanto a psicomotricidade possui um potencial comprovado para promover o desenvolvimento infantil, sua aplicação enfrenta barreiras, como a falta de formação especializada dos professores e a escassez de recursos didáticos adequados. Portanto, é evidente a necessidade de um esforço conjunto para garantir a formação contínua dos educadores e a estruturação adequada das aulas de Educação Física com base nas atividades psicomotoras.
Os resultados desta revisão estão alinhados em grande parte com pesquisas consolidadas na área de desenvolvimento infantil e psicomotricidade. A Bateria Psicomotora de Fonseca (1995), amplamente utilizada para avaliar o desenvolvimento psicomotor de crianças, já destacava a relevância de atividades psicomotoras no aprimoramento de habilidades motoras e cognitivas. O estudo de Martins et al. (2019), por exemplo, utiliza essa mesma bateria para validar seus achados, sublinhando a importância dessas práticas.
Ademais, a revisão também contribui com novas perspectivas, especialmente no que diz respeito à necessidade de políticas públicas que garantam a capacitação de professores e a inclusão da psicomotricidade como uma ferramenta pedagógica indispensável. Embora pesquisas anteriores reconheçam a importância dessas práticas, poucos estudos têm abordado de forma tão explícita os desafios institucionais e pedagógicos que limitam sua aplicação. Esse aspecto diferencia a revisão ao propor não apenas uma análise dos benefícios, mas também uma reflexão sobre as barreiras práticas enfrentadas pelos educadores.
As implicações dos achados desta revisão são diretas para a prática pedagógica dos professores de Educação Física na Educação Infantil. As práticas psicomotoras, quando integradas de forma planejada às aulas, podem promover o desenvolvimento integral das crianças, abrangendo não apenas o aspecto motor, mas também as dimensões cognitivas e sociais. Para os professores, isso significa que atividades envolvendo coordenação, lateralidade, ritmo e equilíbrio podem ser inseridas em suas rotinas de aula, visando desenvolver múltiplas habilidades de maneira lúdica e envolvente.
A psicomotricidade relacional, discutida por Santos et al. (2019), também se destaca como uma abordagem promissora para lidar com os aspectos socioafetivos dos alunos. Professores que utilizam essa metodologia podem ajudar as crianças a expressarem sentimentos e a resolverem conflitos por meio do corpo e do movimento, contribuindo para um ambiente escolar mais inclusivo e harmonioso.
É importante reconhecer algumas limitações presentes nos estudos analisados. A maioria das pesquisas revisadas contou com amostras relativamente pequenas, o que limita a generalização dos resultados. Por exemplo, Boettge e Bersch (2018) trabalharam com uma amostra de apenas 12 crianças, enquanto Santos et al. (2019) utilizaram 21 alunos. Esses tamanhos de amostra reduzem a capacidade de extrapolar os achados para populações maiores ou diferentes contextos educacionais.
Outra limitação é a predominância de estudos com abordagem qualitativa, o que dificulta a obtenção de dados quantitativos robustos que comprovem, de maneira estatisticamente significativa, os efeitos da psicomotricidade em larga escala. Além disso, a falta de pesquisas longitudinais que acompanhem o impacto das práticas psicomotoras ao longo do tempo é um fator limitante, já que a maioria dos estudos foca em intervenções de curto prazo.
Com base nas limitações e lacunas identificadas, futuras pesquisas podem explorar novos caminhos para aprofundar o conhecimento sobre o papel da psicomotricidade na Educação Física Infantil. Um aspecto que merece atenção é o desenvolvimento de estudos com amostras maiores que envolvam diferentes realidades escolares, como escolas urbanas e rurais, públicas e privadas, para compreender as variações no impacto das práticas psicomotoras.
Além disso, seria valioso que pesquisas futuras adotassem uma abordagem longitudinal, acompanhando o desenvolvimento psicomotor das crianças ao longo de vários anos, a fim de avaliar os efeitos duradouros dessas intervenções. Outra área que merece investigação é a capacitação de professores. Estudos que analisem programas de formação continuada em psicomotricidade poderiam oferecer insights valiosos sobre como melhor preparar os educadores para aplicar essas práticas de forma eficaz e integrada ao currículo escolar.
Por fim, é essencial que futuras investigações considerem o papel das políticas públicas no incentivo e viabilização da psicomotricidade nas escolas, explorando a implementação de currículos que integrem essas práticas como parte essencial da formação motora e social das crianças na primeira etapa da Educação Básica.
CONCLUSÃO
Os estudos revisados evidenciam que as práticas psicomotoras não apenas aprimoram habilidades motoras, mas também têm um impacto positivo nos aspectos cognitivos, sociais e emocionais. No entanto, a implementação dessas práticas enfrenta desafios significativos, como a falta de formação específica dos professores e a escassez de recursos adequados.
Quando aplicadas de maneira estruturada e contínua, as intervenções psicomotoras podem criar um ambiente de aprendizagem mais inclusivo e enriquecedor, promovendo relações saudáveis entre os alunos e aprimorando suas habilidades para enfrentar desafios emocionais e sociais. A psicomotricidade relacional, em particular, se destaca como uma abordagem que facilita a expressão emocional e a resolução de conflitos, aspectos essenciais para o desenvolvimento afetivo das crianças.
É fundamental que as políticas educacionais reconheçam e integrem a psicomotricidade como parte integrante do currículo escolar, assegurando que todos os educadores tenham acesso à formação continuada e a recursos que possibilitem a aplicação eficaz dessas práticas. Além disso, futuras pesquisas devem priorizar a ampliação das amostras, a realização de estudos longitudinais e a avaliação da eficácia das formações oferecidas aos professores, garantindo que as intervenções psicomotoras se tornem um componente central na educação infantil.
Somente por meio dessas medidas será possível garantir que a psicomotricidade cumpra seu potencial como ferramenta pedagógica, contribuindo significativamente para o desenvolvimento holístico das crianças em suas etapas iniciais de formação.
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AVALIAÇÃO
Avaliação por pares cega (double blind peer review)
HISTÓRICO
Submetido: 30 de março de 2025.
Aprovado: 15 de maio de 2025.
Publicado: 20 de maio de 2025.
[1] Acadêmica na Universidade Estadual de Montes Claros - UNIMONTES., Montes Claros -MG Brasil. ORCID: https://orcid.org/0009-0003-2481-3970. Lattes: http://lattes.cnpq.br/3926057618975329. E-mail: maira_oliveira_svm@hotmail.com
[2] Doutora em Saúde (Área de concentração: Saúde Brasileira) pela Universidade Federal de Juiz de Fora (2018) -MG Brasil. ORCID: https://orcid.org/0000-0002-9893-8675. Lattes: http://lattes.cnpq.br/3297002140395928. E-mail: josaria_ferraz@hotmail.com