ARTIGO ORIGINAL

 

INSATISFAÇÃO COM A IMAGEM CORPORAL DE ADOLESCENTES DA REDE PÚBLICA DE ENSINO

 

DISSATISFACTION WITH THE BODY IMAGE OF ADOLESCENTS FROM THE PUBLIC EDUCATION NETWORK

 

INSATISFACCIÓN CON LA IMAGEN CORPORAL DE ADOLESCENTES DE LA RED PÚBLICA DE ENSEÑANZA

Larissa Ferreira dos Santos, Maria Clara Alvaro Santos, Lais Castilho Xavier, Felipe Galdino Souza, Wellington Alquimim dos Santos, Marcelo Figueiredo dos Santos, Douglas Barbosa Rodrigues, Nivea Maria de Oliveira Jacques, Ney Silva Santana, Adelson Fernandes da Silva

 

Data de Submissão: 26/11/2020 Data de Publicação: 17/06/2021

Como citar: SANTOS, L. F. et al. Insatisfação com a imagem corporal de adolescentes da rede pública de ensino. Revista Eletrônica Nacional de Educação Física, v. 12, n. 17, jun. 2021. https://doi.org/10.46551/rn2021121700049

 

 

RESUMO

Analisar o nível de insatisfação da Imagem Corporal de adolescentes da rede pública de ensino da cidade de Januária/MG. Trata-se de estudo descritivo e transversal, conduzido com 224 escolares de ambos os sexos, idade de 15 a 17 anos das escolas públicas estaduais. Os escolares foram investigados quanto à satisfação com a Imagem Corporal, no qual foi avaliada através da Escala de Silhueta de Stunkard. Os dados obtidos foram analisados por meio da estatística descritiva por meio de frequências absolutas e relativas com o auxílio do Software Microsoft Excel. No presente estudo verificou-se que 78,6% dos adolescentes estão insatisfeitos com sua Imagem Corporal, destes 43,8% estão insatisfeitos pelo excesso de peso, e 34,8% pela magreza. Demonstrou ainda que 21,4 % estavam satisfeitos com sua aparência. O nível de Insatisfação com a Imagem Corporal nesse estudo apresentou altas proporções entre os adolescentes. Essa Insatisfação pode trazer inúmeros malefícios a saúde, assim é necessário estratégias de intervenção social, no sentido de evitar a prática de condutas comportamentais não saudáveis.

Palavras-chave: Imagem Corporal. Insatisfação. Adolescentes.

ABSTRACT

To analyze the level of dissatisfaction of Body Image in adolescents from public network education in the city of Januária/MG. This is a descriptive and cross-sectional study, conducted with 224 students of both sexes, aged 15 to 17, from state public schools. We investigated them for satisfaction with Body Image, which was assessed using the Stunkard Silhouette Scale The data obtained were analyzed using descriptive statistics through absolute and relative frequencies with the help of Microsoft Excel Software. In this study we found that 78.6% of adolescents are dissatisfied with their body image. Of these, 43.8% are dissatisfied with being overweight and 34.8% with thinness. Still, 21.4% were satisfied with their appearance. The level of dissatisfaction with Body Image in this study was represented in high proportions in adolescents. This dissatisfaction can bring innumerable harm to health and, therefore, social intervention strategies are necessary in order to avoid the practice of unhealthy behavioral behaviors.

Keywords: Body Image. Dissatisfaction. Adolescents.

 

 

RESUMEN

Analizar el nivel de insatisfacción de la Imagen Corporal de adolescentes de escuelas públicas de la ciudad de Januária / MG. Se trata de un estudio descriptivo y transversal, realizado con 224 alumnos de ambos sexos, de 15 a 17 años de escuelas públicas estatales. Se investigó a los estudiantes para determinar su satisfacción con la imagen corporal, que se evaluó mediante la escala de silueta de Stunkard. Los datos obtenidos se analizaron mediante estadística descriptiva utilizando frecuencias absolutas y relativas con la ayuda del software Microsoft Excel. En el presente estudio se encontró que el 78,6% de los adolescentes están insatisfechos con su Imagen Corporal, de estos el 43,8% están insatisfechos con el sobrepeso y el 34,8% con la delgadez. También mostró que el 21,4% estaba satisfecho con su apariencia. El nivel de insatisfacción con la imagen corporal en este estudio mostró altas proporciones entre los adolescentes. Esta insatisfacción puede traer innumerables daños a la salud, por lo que se necesitan estrategias de intervención social para evitar la práctica de conductas no saludables.

Palabras clave: Imagen corporal. Insatisfacción. Adolescentes.

 

INTRODUÇÃO

A adolescência é marcada por um período em que há muitas transformações corporais, resultado do crescimento e desenvolvimento, os quais podem ocorrer de forma insatisfatória, corroborando para uma auto avaliação distorcida ou imprópria da Imagem Corporal (IC). A Imagem Corporal pode ser definida como à representação mental do próprio corpo (ROY; PAYETTE, 2012) experienciada de forma individual, que contempla os sentidos, determinando sua identidade e pensamentos, aludindo percepções de sentimentos pessoais (MARTINS et al., 2018).

A IC é construída através das percepções vividas pelo indivíduo, o que a faz ser fruto dos fragmentos da experiência de cada um. A IC pode ser vista como a relação entre o corpo de uma pessoa e os processos cognitivos como crenças, valores e atitudes individuais (PETROSKI et al., 2012). Alguns indivíduos podem apresentar dificuldades em lidar e aceitar a IC (IEPSEN; SILVA, 2014) o que tem sido associado, na literatura científica, à preocupação em corresponder aos padrões de beleza física (PETROSKI et al., 2012) sobretudo influenciada pela mídia social (SILVA et al., 2018).

Na adolescência surgem as primeiras preocupações com a Imagem Corporal, os registros apontam que os adolescentes podem estar mais vulneráveis para modularem sentimentos e comportamentos a respeito do próprio corpo durante essa fase, de acordo com Dumith et al. (2012) a insatisfação com a Imagem Corporal (IC) é um problema evidente em adolescentes de diferentes regiões do mundo.

A insatisfação com a imagem corporal corresponde a pensamentos negativos sobre sua IC e à percepção subjetiva de sentir-se feio, fisicamente anormal e com algum defeito em sua aparência, ainda que tais características não existam (FANG; HOFMANN, 2010). Durante o processo de construção da IC, essa percepção subjetiva negativa do formato e do tamanho do corpo poderá gerar repercussões psicológicas ruins, tais como preocupação excessiva, desconforto, sofrimento e isolamento social (FORTES et al., 2013).

Notoriamente, a literatura demonstra que este construto sobre a insatisfação com a Imagem Corporal pode interferir até mesmo no convívio com a sociedade, principalmente no quesito aceitação. Tal fato pode ser observado com maior frequência entre os adolescentes, podendo influenciar no desenvolvimento desses indivíduos e até causar algum tipo de psicopatologia, estendendo-se à idade adulta (NICHOLLS; VINER, 2005; GOUVEIA et al., 2014; NEVES et al., 2017). Algumas doenças psicológicas destacam-se nesse sentido, como a Depressão, o Transtorno Dismórfico Corporal (TDC) e os Transtornos Alimentares.

Sendo assim, a investigação a respeito da Insatisfação com a Imagem Corporal foi de grande relevância, uma vez que a conscientização sobre o cuidado com o corpo e com a saúde ajudará a prevenir doenças e ajudará a incentivar na mudança de hábitos daqueles que já possuem algum tipo de problema com sua autoimagem, visando assim contribuir na propagação sobre o assunto, para que a sociedade tome conhecimento e aclare as dúvidas decorrentes.

Diante dos pressupostos o objetivo desse estudo foi analisar o nível de insatisfação da Imagem Corporal de adolescentes da rede pública de ensino da cidade de Januária/MG.

 

MÉTODOS

Esta pesquisa é do tipo descritivo e de delineamento transversal (THOMAS; NELSON; SILVERMANN, 2012). Foi realizada na cidade de Januária, Minas Gerais, Brasil, a população alvo de acordo a Superintendência Regional de Ensino era de 2.104 alunos do Ensino Médio das escolas públicas da cidade. Para obter a amostra foi aplicada a fórmula para cálculo do tamanho da amostra (BARBETTA, 2002), com nível de confiança de 95%, consolidando para esse estudo 336 escolares.

Ao final da coleta de dados obteve para este estudo 224 alunos, com idades compreendidas entre 15 e 17 anos. Desses 96 (43%) são do sexo masculino e 128 (57%) do sexo feminino. A perda amostral deu-se a partir da violação dos critérios de inclusão, tendo o total de 112 alunos exclusos da pesquisa.

Definiram-se como critérios de inclusão, alunos matriculados no ensino médio, ter idade entre 15 e 17 anos e apresentar Termo de Consentimento Livre e Esclarecido assinado pelos pais ou responsáveis enviados via e-mail antes da data estipulada para a coleta de dados. Foram considerados Critérios de Exclusão: Não responder o questionário até a data pré-estabelecida e não preencher corretamente as questões do mesmo. Considerou-se recusa o adolescente que não quis participar da pesquisa.

O instrumento foi aplicado via internet devido ao caso excepcional da pandemia do Covid-19. Inicialmente enviado para a direção das escolas para que assim fosse redirecionado aos alunos, o questionário é constituído por questões fechadas, subdivididas em perguntas pessoais (sexo, escolaridade e idade) e um instrumento para analisar a insatisfação Corporal, representada pela escala de silhuetas de Stunkard et al. (1983), que é composta por um conjunto de figuras humanas, numeradas de 1 a 9, representando um continuum desde a magreza (silhueta 1) até a obesidade (silhueta 9).

A aplicação do método psicométrico (“escolha”) consiste em solicitar ao indivíduo que escolha uma silhueta dentre as dispostas que melhor representasse a silhueta de seu próprio corpo no momento (Percepção da Imagem Corporal Real). A seguir, o indivíduo indica a silhueta que mais coincide com sua aparência corporal ideal (STUNKARD et al.,1983).

Para a avaliação da insatisfação corporal (Imagem Corporal), subtraiu-se da aparência corporal real a aparência corporal ideal, podendo esse número variar de - 8 até +8. Caso essa variação fosse igual a zero, o indivíduo era classificado como satisfeito. Caso a diferença fosse positiva, considerava-se uma insatisfação pelo excesso de peso e, quando negativa, uma insatisfação pela magreza (STUNKARD et al.,1983).

Empregou-se a estatística descritiva por meio de frequências absolutas e relativas para caracterização da amostra e distribuição em relação a variável percepção da imagem corporal. Para apuração dos dados foi utilizado o programa Software Microsoft Excel (2010).

Para a realização da pesquisa foram respeitadas às Normas do Conselho Nacional de Saúde (Resolução n° 466/12). Os instrumentos e procedimentos propostos no estudo foram submetidos para avaliação e aprovação do Comitê de Ética da Universidade Estadual de Montes Claros - UNIMONTES, Minas Gerais, Brasil. Parecer Consubstanciado nº 3.575.173 de 14 de setembro de 2019.

 

RESULTADOS

As proporções da percepção com a Imagem Corporal, estratificadas por sexo, de adolescentes satisfeitos, insatisfeitos e insatisfeitos pelo excesso de peso e pela magreza estão apresentados na Tabela 1.

No presente estudo verificou-se que 78,6% dos adolescentes estão insatisfeitos com sua Imagem Corporal, destes 43,8% estão insatisfeitos pelo excesso de peso e 34,8% pela magreza. Demonstrou ainda que 21,4 % estavam satisfeitos com sua aparência.

Observou-se que o sexo feminino apresentou maiores proporções de insatisfação; a variável pelo excesso de peso destacou-se, sendo estipulada em 56,3%.  No que se refere ao sexo masculino a variável insatisfeita pela magreza correspondeu a 50%.

 
                 Fonte: Santos, LF et al., 2020.


Tabela 1. Valores absolutos e relativos (%) da percepção com a imagem corporal (n= 224).

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

DISCUSSÃO

Na adolescência as transformações biológicas e comportamentais ocorrem simultaneamente, junto ao corpo e a auto percepção da Imagem corporal também é modificada, fazendo com que o adolescente passe a idealizar uma Imagem Corporal ideal não correspondente a sua imagem real (BRANCO et al., 2006)  e quanto mais esse corpo real se distancia do corpo ideal, a autoestima automaticamente fica comprometida, tornando-se maior a probabilidade de se ter uma distorção da Imagem Corporal (CUBRELATI et al., 2014).

Neste estudo a prevalência de insatisfação com a imagem corporal foi de 78,6%. Na literatura foi possível verificar que alguns estudos de diferentes regiões do Brasil também apresentaram dados considerados preocupantes, devido ao alto índice de insatisfação com a Imagem Corporal. Em uma pesquisa realizada no município de São José/SC a prevalência de insatisfação com a Imagem Corporal entre os pesquisados foi de 75,2% (CLAUMANN et al., 2019) enquanto  que em Viçosa/MG a prevalência foi de 79,3% (CECON et al., 2017), na cidade de Fortaleza/CE o índice encontrado foi de  65,4 % (ALVES et al., 2017). 

Em contrapartida, em outras pesquisas, essas prevalências foram relatadas em menores escalas. Em Viçosa/MG a insatisfação corporal foi encontrada em 50,2% pela escala de silhuetas em 274 adolescentes (MORAIS et al., 2018). A pesquisa de Silva (2012), realizada em Recife/PE com 300 estudantes, averiguou que apenas 31.8% dos adolescentes apresentaram alguma insatisfação com o corpo.

A insatisfação corporal pode gerar várias consequências ao ser humano como, prejuízos no comportamento e nas atitudes alimentares, tendência ao desenvolvimento e manutenção de transtornos alimentares, depressão, baixa autoestima, comparação social, ansiedade, aumento de cirurgias plásticas estéticas, diminuição da qualidade de vida Alvarenga et al. (2010) e ideação suicida (POMPILI et al., 2007; AS-SA’EDI et al., 2011).

Os achados do presente estudo evidenciaram que ao analisar o nível de satisfação com a imagem corporal entre os sexos observou-se maior proporção de insatisfação pela magreza nos meninos 50% e pelo excesso de peso nas meninas 56,3%. Este estudo corrobora com outros estudos encontrados na literatura; observa-se que na pesquisa desenvolvida por Fernandes et al. (2017)  estes dados foram representados por 55% das meninas que gostariam de diminuir sua silhueta e 32,6% dos meninos que gostariam de aumentar, enquanto que no estudo exposto por Claumann et al. (2019) essas prevalências foram de 49,8% e 42,8% respectivamente.

Dados divergentes foram encontrados por Bonfim (2015) no qual os meninos apresentaram maiores proporções de insatisfação na variável insatisfeito pelo excesso de peso 42,3%, enquanto que as meninas estavam insatisfeitas pela magreza 48,9%. Esses resultados podem ser explicados, dentre outros fatores, pela vulnerabilidade de ambos os sexos ao atual ideal de beleza, que valoriza a magreza feminina e o corpo forte e musculoso para o sexo masculino (BRAGA et al., 2010).

Na sociedade a magreza é exemplo de ser normal, saudável, ser magro é ser retratado como alguém que é esforçado e disciplinado. E estar acima do peso é ser classificado como preguiçoso e descuidado segundo Novaes (2013). Essa pontuação pode demonstrar que existem julgamentos morais, que disseminam a ideia de que a Imagem Corporal pode classificar alguém como vencedor ou fracassado, essa é a realidade que os adolescentes têm enfrentado em seu cotidiano (LOPES; MENDONÇA, 2016).

Quanto a satisfação 21,4% dos escolares disseram estar satisfeitos com sua imagem corporal, resultados mais expressivos foram encontrados por (ALVES et al., 2017) quando a prevalência de satisfação foi demonstrada em 34,6% e por (PIRES, 2018) no qual a satisfação foi representada em 38%. 

Outros estudos apresentaram resultados divergentes, no estudo de Lima et al. (2018) 30% dos pesquisados apontaram a prevalência de satisfação com a imagem corporal, na pesquisa desenvolvida por Mota et al. (2018) esses resultados foram de 56,7% satisfeitos.

Pessoas que são satisfeitas com sua Imagem Corporal geralmente possuem um nível maior de saúde física e mental, e conseguem ter um melhor desenvolvimento pessoal. Portanto ter uma imagem corporal positiva pode ajudar a melhorar a autoestima, a auto aceitação e permitir a prática de comportamentos mais saudáveis (PISITSUNGKAGARN et al., 2013).

A partir dos achados nota-se um número elevado de adolescentes que se encontram insatisfeitos com sua Imagem Corporal. Essa é o reflexo do atual contexto social imposto no qual a Imagem Corporal é observada em uma ótica corpórea estereotipada, que serve às relações de mercado e é amplamente divulgada pela ação da mídia ao impor padrões estéticos de interesse de diversos setores financeiros (STRAATMANN, 2010). Dessa forma, a preocupação com a estética é de teor crescente, refletindo na chamada cultura do narcisismo, que idolatra e anseia por um corpo ideal (BRAGA, 2006). 

Além de que outros fatores determinantes também interferem nesse processo de auto aceitação da imagem, como as influências diretas de amigos, redes sociais e familiares que por vezes, contribuem para a necessidade de estar, de forma constante, dentro dos padrões e expectativas impostos (GONÇALVES; MARTÍNEZ, 2014).

O corpo tornou-se um objeto, sendo ele fonte de consumo e desejo por perfeições. Recorrer-se a infinitas alternativas para se adequar a padrões estabelecidos, fere-se a princípios em busca do corpo perfeito (FICAGNA, 2014). Essa busca incessante por um corpo belo acontece sem distinção de classe social, raça, etnia ou religião, ela está propensa a se estabelecer em qualquer lugar, seja em casa, no trabalho ou até mesmo dentro das escolas.  Em vista dessa busca incessante pelos padrões de beleza, crianças e adolescentes se constituem com essas concepções e frustações por muitas vezes não adequarem-se ou não possuírem o biótipo padrão (FICAGNA, 2014).

Definiu-se limitação deste estudo, a apuração das informações por meio de questionário aplicado via internet, que propicia a exclusão de pessoas que não saibam utilizar estas novas tecnologias e/ou aquelas que não possuem acesso, e que impede o auxílio ao pesquisado quando este não entende determinada questão.

Entretanto essa pesquisa aduz contribuição significativa para a área da saúde, pois indicou que o público adolescente está suscetível a problemas psicológicos e sociais devido a Insatisfação com a Imagem Corporal. Portanto medidas preventivas devem ser aderidas no intuito de orientar e conscientizar os adolescentes a respeito dos comportamentos prejudiciais à saúde.

CONCLUSÃO

O nível de Insatisfação com a Imagem Corporal nesse estudo apresentou altas proporções entre os adolescentes. Dentre as meninas mais insatisfeitas notou-se que a prevalência foi maior nas que desejam reduzir seu peso corporal enquanto que no sexo masculino foi da insatisfação pela magreza.

Fato este preocupante, pois a idealização do corpo magro ou do corpo musculoso pode gerar consequências negativas a curto e longo prazo para os adolescentes, como o desenvolvimento de comportamentos alimentares inadequados que podem ocasionar em casos extremos o desenvolvimento de Transtornos Alimentares, alterações psicológicas, biológicas, morbidade e mortalidade.

A insatisfação com a Imagem Corporal pode trazer inúmeros malefícios à saúde, assim são necessárias estratégias de intervenção social, no sentido de evitar a prática de condutas comportamentais não saudáveis, uma vez que a insatisfação com a Imagem Corporal pode ser considerada um problema de saúde pública.

Nesse sentido a escola, no contexto a Educação Física escolar, necessita priorizar e estabelecer meios que visam auxiliar no processo de formação da cultura corporal do adolescente. Assim, os mesmos se tornarão aptos a identificar atitudes saudáveis e saberem lidar com comportamentos de discriminação e aceitação do seu próprio corpo quanto do de outros.

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