DO PENSAMENTO DO SER AO PENSAMENTO DO RASTRO – DERRIDA LEITOR DE HEIDEGGER

Fernanda Bernardo

Resumo

Na mui grata memória da edição simultânea de De la Grammatologie (1967), de L’écriture et la différence (1967) e de La Voix et le Phénomène (1967), 2017 assinalou os 50 anos do pensamento da différance de Jacques Derrida (1930-2004). Mas, assinalou também o retorno ruidoso de um clima de injúrias endereçadas aos chamados «filósofos heideggerianos franceses», no eco do retorno da velha questão do antissemitismo de Heidegger no prosseguimento da edição mais ou menos recente dos seus Schwarze Hefte. Ora, para bem compreender a singularidade do inaudito evento filosófico chamado Desconstrução, ligado ao pensamento, à obra e ao nome de Jacques Derrida, não é obviamente possível contornar Freiburg – mas será a Desconstrução derridiana apenas um mero «heideggerianismo francês»? Heidegger mais o estilo de Derrida, como alguns pretendem? Tendo em conta que a Auseinandersetzung foi a constante da Grundstimmung da relação de Derrida-leitor a Martin Heidegger (1889-1976), Do pensamento do ser ao pensamento do rastro propõe-se perscrutar o alcance, os desafios, as implicações e as manifestações filosóficas (filosóficas, (meta-)éticas e políticas !) desta constante Auseinandersetzung, tentando mostrar como, para além de qualquer heideggerianismo ou anti-heideggerianismo, mas também não sem honrar a grandeza e a fecundidade inspiradora do pensamento filosófico de Heidegger, ela se encontra na origem de um novo idioma filosófico – o da Desconstrução derridiana, justamente. Assim se logrará talvez mostrar que Heidegger em França foi, do ponto de vista do pensamento filosófico, um acontecimento incomparável.

Palavras-chave

Heidegger; Derrida; Hermenêutica; Desconstrução;Ser;Rastro

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