Deleuze, Guattari e Marx: “enunciados das organizações de poder” em vez de “ideologia”

Rodrigo Guéron

Resumo

O texto a seguir é parte de um grande estudo que vimos empreendendo nos últimos anos sobre as relações da filosofia política de Gilles Deleuze e Felix Guattari com a filosofia política de Karl Marx. Se neste estudo em geral temos examinado a singular leitura e a surpreendente proximidade que os dois autores estabelecem com o marxismo, no presente artigo mostraremos um trecho da terceira parte deste estudo onde pesquisamos as diferenças que Deleuze e Guattari têm com Marx. A diferença especificamente tratada aqui diz respeito a uma crítica ao conceito de “ideologia” como é concebido por Marx. A partir do aprofundamento de uma perspectiva materialista, Deleuze e Guattari não verão o que se designa como ideologia numa instância distinta (superestrutura), mesmo que numa relação dialética, da produção econômica (infraestrutura). No lugar de uma “ideologia” o que teremos, então, serão “enunciados de organizações de poder” entendidos como parte decisiva da própria estrutura produtiva do capitalismo. Para compreendermos o que vem a ser isso, teremos que buscar a compreensão do que é um “agenciamento de enunciação”, empreendendo um estudo de diferentes semióticas e, entre estas, duas que predominaram na história do cristianismo até chegarmos ao capitalismo, quais sejam, a semiótica significante e a semiótica pós-significante. É nesse contexto que, com a ajuda da linguística, os dois autores vão tentar desmontar tanto o que chamam de “tirania do significante” quanto o pressuposto da existência de uma “consciência”, pensando assim a existência de “agenciamentos de enunciação” no lugar de “sujeitos de enunciação”.

Palavras-chave

Deleuze e Guattari; Marx; Ideologia; Enunciados de organizações do poder

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