Devires-animais, devires-monstro, devires-vampiro

Benito Eduardo Araujo Maeso

Resumo

Em sua obra “Kafka: por uma literatura menor”, Gilles Deleuze sugere a existência de um caráter vampiresco nas cartas do autor checo a Felícia, sua noiva/amante. Esta relação estabelecida por Deleuze não é gratuita, se o leitor levar em conta a intensa significação erótica presente na imagem de um Drácula, por exemplo, e no sangue como elemento simbólico de força e energia vitais. A partir desta comparação, e levando em consideração que o vampiro é uma personagem presente desde a Antiguidade em diversas histórias e produções, literárias, cinematográficas ou folclóricas (das quais será analisada com mais detalhes a literatura do final do século XIX na Inglaterra e França), seria possível interpretarmos o vampiro – utilizando uma chave de pensamento deleuziana - como um tipo peculiar de devir-animal, que não reproduz a ideia molar/majoritária que temos dessas criaturas como seres das trevas e encarnação do mal, mas que sugere, pelo beber sangue, uma potência de vida que irrompe e flui entre os indivíduos? Ou estas criaturas seriam o contraponto - e por isso mesmo a resposta e a liberação - ao sujeito domado/dominado/domesticado pela Razão e enredado nos modelos majoritários de bem, moral, segurança, entre outros? Se o vampiro já é a personificação de muitos dos medos humanos (assim como outros monstros também o são), analisar as características desta criatura por meio dos conceitos deleuzianos de minoritário e de devir pode abrir a possibilidade de se entender o medo como elemento operativo no estabelecimento de linhas de fuga, um motor e ferramenta de libertação do majoritário por meio da transgressão, do desejo de transgredir e desafiar o que nos traz temor.

Palavras-chave

Vampiro; Libido; Deleuze; Devir; Kafka

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