A experimentação como projeto de formação filosófica

Silvia Cristina Fernandes Lima

Resumo

O objetivo desse artigo é refletir sobre o conceito de experimentação em Nietzsche, compreendendo-o como um elemento característico de seu filosofar. Nietzsche, o crítico da modernidade, evidenciou a ênfase dada à razão e a ciência como formas únicas de conhecimento, em detrimento da arte, da intuição e ilusão. Denunciou o problema da racionalidade e da cientificidade, pois para ele a confiança na razão e na ciência é um fenômeno moral, ela ínsita a busca por fundamentos, a encontrar sempre uma causa, uma finalidade última, em última instancia a verdade. Busca essa que levou a modernidade à decadência, a ausência de sentido da vida, ao niilismo. A hipótese que queremos apresentar nesse texto é a de que o caminho traçado por Nietzsche para desmascarar os pilares da modernidade decadente é o da experimentação. Ou seja, o fazer experimentações com seu próprio pensamento, colocando o problema sob diversas perspectivas. Nesse processo de experimentação podemos vislumbrar o constituir-se do filósofo alemão, a experimentação aparece aqui no modo como Nietzsche coloca como questão a moral ao fazer de seu próprio pensamento um experimento no desmascaramento da moral. Assim como sua própria concepção de formação filosófica é um convite à experimentação, o fazer experimentações com si mesmo e com a vida, é o vivenciar, o experimentar a vida a partir de diversas perspectivas. Essa prática fisiológica de experimentar a vida e fazer a experimentação com o pensamento deve ser a tarefa dos filósofos do futuro, pois com ela advém a capacidade de legislar e comandar.

Palavras-chave

Experimentação; Vivência; Filosofia; Nietzsche.

Texto completo:

Visualizar PDF
Facebook

Visualizações do PDF:

79 views


Visualizações do Resumo:

58 views

Apontamentos

  • Não há apontamentos.