Sobre o problema do corpo em Heidegger

Rodrigo Rizério de Almeida e Pessoa

Resumo

Em sua obra mais conhecida, Ser e Tempo, Heidegger decompõe a existência em seus existenciais constitutivos, fazendo ver o ser do homem enquanto ser-no-mundo. A  constituição do ser-no-mundo se propõe a ruptura da metafísica da subjetividade e, interpretando agora a existência a partir do conceito de transcendência, torna caduco todo discurso acerca do interior do homem. Existir é sempre ek-sistir, é sempre estar fora. Em todo esse debate, seria de se esperar que Heidegger dissesse algo acerca da corporeidade, e não obstante, em Ser e Tempo muito pouco é dito sobre isso. Entretanto, apesar da ausência de uma discussão temática sobre o corpo em Ser e Tempo, os existenciais elencados aí, especialmente a espacialidade do ser-em, tornam possível afirmar que o ser-no-mundo é essencialmente determinado pelo corporar do corpo. Cumpre, portanto, questionar como deve ser pensado o corpo enquanto constituinte essencial do Dasein, para além do que sobre o  corpo disse a tradição metafísica. Com efeito, tradicionalmente, desde ao menos Platão e atravessando em seguida o cristianismo, o corpo é considerado mau ou pecaminoso, obstáculo na busca da alma por conhecimento ou santidade. A modernidade, de um lado, dessacralizou  o corpo, mas de outro, tornou-o mero objeto entre outros passíveis de cálculo e mensuração. Heidegger, ao contrário, chama a atenção para a necessidade de questionar o corpo para além da limitadora perspectiva da ciência, que o compreende apenas em seu aspecto físico- químico. Assim, cumpre ter presente a distinção entre corpo e corpo material, bem como a compreensão da essência humana enquanto essencialmente corporal, superando dessa forma a dualidade tradicional entre corpo e alma e interpretando o ser do homem segundo uma concepção unitária.

Palavras-chave

Corpo; Espaço; Ser-no-mundo; Transcendência.

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