Morte, transgressão e delírio na linguagem literária em Michel Foucault

Marcos Nalli, Renan Pavini

Resumo

Michel Foucault, em Histoire de la folie (1961), ao pensar o delírio na época  clássica, ressaltou sua profunda estrutura que podia ser observada no nível de um discurso bem organizado e rigoroso. Isto quer dizer que todas e quaisquer agitações dos corpos ou perturbações do espírito de um louco estavam organizadas de uma maneira rigorosamente lógicas e eram fundamentadas em torno de um discurso. Não obstante, Foucault percebeu que a lógica interna que o discurso do delírio trazia dentro de si estava ligado, ironicamente, à lógica própria do homem racional. Se o discurso do delírio ligava-se ao discurso do homem  de razão, era somente para zombar de sua lógica impecável. Na modernidade, segundo Foucault, a psiquiatria objetivou o delírio. Embora essa objetivação tenha se dado pela ciência psiquiátrica, uma nova experiência (com outras estruturas) retomou o curso de uma  linguagem delirante: a experiência literária. Este artigo retomará a crítica que Foucault fez à psicologização da obra literária, principalmente em seu livro Raymond Roussel (1963), empregando e relacionando conceitos como finitude, transgressão e morte. Isso nos permitirá perceber como Foucault coloca, na modernidade, o homem frente a sua finitude e, por conseguinte, num novo relacionamento com a morte – tanto através da ciência quanto da literatura. Em certa medida, apontaremos a importância que Foucault confere à experiência literária em seu pensamento, principalmente na década de 1960, uma experiência que se apresenta nos escritos de Friedrich Nietzsche, Antonin Artaud ou Raymond Roussel e afirma- se fora de um racionalismo vigente penetrado por toda uma linguagem dialética.

Palavras-chave

Foucault; Linguagem delirante;Transgressão; Finitude; Morte.

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